Thursday, 11 February 2010

Quem sou eu? {por Martha Medeiros}

Nunca fui muito de carnaval, meus leitores já sabem disso. Andei relendo um texto que publiquei aqui mesmo, neste blog, no carnaval do ano passado, onde revelava minha admiração por todos aqueles que seguem fervorosamente o trio elétrico.
Um ano se passou e continuo igualzinha, preferindo a euforia interna de meditar numa praia deserta a me lançar na multidão insana de uma tarde de carnaval. A essência de cada um, diriam alguns. A minha identidade, que depois de descoberta e acolhida, respeito e preservo como sagrada. Isso não impede alguns riscos de vez em quando, algumas escapulidas e espreitadas para além do trivial, que me tiram da rotina e me ensinam, que sim, a vida pode ser pulsante e mágica quando ousamos mudar a rota e desligar o piloto automático da rotina. E não dizem que as boas surpresas acontecem quando menos esperamos? 
E quem somos nós? Será que fazemos o que queremos ou aquilo que os outros esperam que façamos? Será que mudamos ao longo de uma vida? Ou nossos gostos, vícios e virtudes permanecem os mesmos, nunca mudam? E quem somos nós, na essência, será que sabemos ou a astrologia é que nos informa?
Exatamente sobre isso, deixo vocês com um texto inspirador de Martha Medeiros, um exercício de descoberta de si mesma em forma de prosa, ilustrado pelas cores da Ana Castilhos, em seu trabalho cheio de criatividade entitulado 'carnaval'.
Boa folia, grandes descobertas!

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Quando não temos nada de prático nos atazanando a vida, a preocupação passa a ser existencial. Pouco importa de onde viemos e para onde vamos, mas quem somos é crucial descobrir.

A gente é o que a gente gosta. A gente é nossa comida preferida, os filmes que a gente curte, os amigos que escolhemos, as roupas que a gente veste, a estação do ano preferida, nosso esporte, as cidades que nos encantam. Você não está fazendo nada agora? Eu idem. Vamos listar quem a gente é: você daí e eu daqui.

Eu sou outono, disparado. E ligeiramente primavera. Estações transitórias.

Sou Woody Allen. Sou Lenny Kravitz. Sou Marilia Gabriela. Sou Nelson Motta. Sou Nick Hornby. Sou Ivan Lessa. Sou Saramago.

Sou pães, queijos e vinhos, os três alimentos que eu levaria para uma ilha deserta, mas não sou ilha deserta: sou metrópole.

Sou bala azedinha. Sou coca-cola. Sou salada caprese. Sou camarão à baiana. Sou filé com fritas. Sou morango com sorvete de creme. Sou linguado com molho de limão. Sou cachorro-quente com mostarda e queijo ralado. Do churrasco, sou o pão com alho.
Sou livros. Discos. Dicionários. Sou guias de viagem. Revistas. Sou mapas. Sou Internet. Já fui muito tevê, hoje só um pouco GNT. Rádio. Rock. Lounge. Cinema. Cinema. Cinema. Teatro.
Sou azul. Sou colorada. Sou cabelo liso. Sou jeans. Sou balaio de saldos. Sou ventilador de teto. Sou avião. Sou jeep. Sou bicicleta. Sou à pé.

Você está fazendo sua lista? Tô esperando.

Sou tapetes e panos. Sou abajur. Sou banho tinindo. Hidratantes. Não sou musculação, mas finjo que sou três vezes por semana. Sou mar. Não sou areia. Sou Londres. Rio. Porto Alegre.
Sou mais cama que mesa, mais dia que noite, mais flor que fruta, mais salgado que doce, mais música que silêncio, mais pizza que banquete, mais champanhe que caipirinha. Sou esmalte fraquinho. Sou cara lavada. Sou Gisele. Sou delírio. Sou eu mesma.
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E você, o que é? 
Food for thought.

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Wednesday, 23 December 2009

De novo, o Natal.



Para alguns, página virada, para outros, início de um novo ciclo. Natal, Ano Novo, festas de fim de ano são sempre assim. Juntamos os caquinhos da esperança que nos resta e seguimos a viagem, crentes de que o despertar no outro dia vai ser mais lindo, vai ser melhor.

Para mim, sempre uma chance de refazer o percurso, de remontar o mosaico de situações espalhados ao longo dos 12 meses de um ano e relembrar o que deu certo, o que deu errado. Como fazer diferente? Como não tropeçar nos mesmos erros? Acho que a moral da história reside aí.

“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente”


Isso é Carlos Drummond de Andrade, nosso saudoso poeta brasileiro.

O Natal é sempre mais melancólico, traz lembranças, saudades, uma falsa ilusão de renascimento, mas aí, no dia seguinte, volta a ser tudo igual. Depois de alguns vários Natais (frustrados) na bagagem, e de uns tempos para cá, tenho me assumido menos ‘natalesca’ e mais coerente com os meus pensamentos. Prefiro plantar sementes de gentileza ao longo do ano a vê-la materializada e comercializada na troca de presentes caros. Para quê, para quem?

Há quem chie, é lógico, mas quem disse que não há de se pagar um preço pela autenticidade?

PS. A linda árvore de Natal que ilustra essa postagem é obra criativa da Ana Castilhos, da MUKIFUchic, de quem sou mega fã.

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Monday, 17 August 2009

Entre ciclos e crises



Não entendo realmente porque a palavra crise toma, para a maioria de nós, uma conotação tão negativa.
Crise é o tempo em que a mente - e o corpo, por que não? - pedem um descanso para refletir sobre velhas crenças, chorar pelos tropeços, abandonar antigos padrões.
Descobri que a palavra crise vem do latim e tem o mesmo sentido da palavra vento. Vento, que lindo!
Existe algo mais transitório do que o vento?
Isso mesmo, cada uma de nossas crises se converte em uma tempestade ventosa que não apenas nos faz sentir, refletir, amadurecer, mas também nos prepara para um ciclo novinho em folha, mais forte, mais estável, mais equilibrado. É justamente a crise que não nos deixa incorrer no mesmo erro, que nos desvia dos caminhos espinhosos que uma vez percorrermos.
A crise nada mais é senão a tempestade antes da bonança, a inevitável e imperdível oportunidade para o crescimento pessoal, para a construção de nossas auto-defesas, nossos anticorpos emocionais.
Não dá mesmo para fugir das crises, por que além de tudo, elas chegam sem pedir licença, nos visitam sem aviso prévio.
Sabendo disso, vou aprendendo a lidar com minhas crises, conhecendo suas causas, abraçando suas consequências.
Enquanto isso, vou deixando que esse vento sopre, ora suave, ora forte, sob minha vida, levando embora velhos hábitos que não me servem mais, para renascer outra, mais madura e experiente, sabendo desviar daquelas antigas pedras que costumava encontrar pelo caminho.

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Tuesday, 30 December 2008

Adeus Ano Velho, feliz Ano Novo

Me despeço de 2008 com saudades.

Foi um ano do jeitinho que a astrologia previa - rápido, de muita ação, quase meteórico. Meu 2008 - resumido no mosaico de imagens aí do lado - foi de muitos sorrisos, algumas lágrimas, várias surpresas, reaproximações, conquistas, amizades, viagens inesquecíveis.

Foi também um ano de grandes emoções.

Em 2008, vi minhas melhores amigas casarem e chorei, ah, como chorei.

Conheci lugares que há tempos sonhava em conhecer, mas não tinha tempo, grana ou oportunidade - e como sou grata ao universo por ter conferido de perto a riqueza e a pluralidade desse nosso país gigante e verde - estive em Manaus, Tiradentes, São João Del Rei, Florianópolis, Pipa. Cruzei fronteiras e fui - enfim - conhecer Buenos Aires. Que grata surpresa, embalada ao som do tango. Na volta, uma saudade quase inexplicável dessa experiência cultural única e intensa.

Conquistas materiais também marcaram meu 2008 e aqui incluo o meu quarto novinho em folha (!!!), que mereceu um post cômico neste blog e meu estimado livro sobre imagens (idem).

E ainda: 2008 foi para mim um ano de estréias magníficas - no Budismo, neste blog, que tem provado ser um exercício de escrita - e de troca - bacana, leve, descontraída. Viva!

E como não poderia deixar de ser, alguns foram os momentos de tristeza neste ano que se despede, mas esses não valem relembrar - apenas aprender com os erros e não tornar a repeti-los. Agradecer pelo aprendizado e seguir em frente sem olhar pra trás.

É isso. Que venha 2009, repleto de paz, saúde, equilíbrio, boas surpresas & novas realizações. É óbvio que não poderei evitar os maus momentos, aqueles que turvam a clareza natural da mente e destroem a imunidade. Mas que diante deles, eu saiba enxergar a luz e compreender a natureza efêmera dos eventos.

É o que desejo para minha vida e de todos que acompanham carinhosamente este blog.

Feliz 2009!!!

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Friday, 28 November 2008

Resoluções de Ano Novo


Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente

[Cortar o Tempo], Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

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Se pudesse, faria dessa lista meu manual de vida nova em 2009 -
1- achar o tempo para SIMPLESMENTE SER: sentir o pulsar do coração, o fôlego de uma respiração longa e profunda, o gosto do ácido e do doce se dissolvendo lentamente em minha boca; perceber o processo sem o afã de chegar ao final;
2 - exercitar a capacidade de SER TOLERANTE E PACIENTE, mesmo frente às provações mais difíceis: um xingamento no trânsito, uma longa fila no banco em dias de pressa, a provocação de um colega de trabalho, uma humilhação em família, uma reunião enfadonha, uma injustiça, uma grosseria, uma mentira ou fofoca a seu respeito, em dias de TPM;
3 - se capaz de EMPRESTAR UM OMBRO/OUVIDO/SORRISO AMIGO sempre que solicitada;
4 - AMAR SEM MEDO;
5 - PERDOAR SEM RANCOR;
6 - PEDIR MENOS, AGRADECER MAIS;
7 - CULTIVAR A SENSIBILIDADE de perceber felicidade nos pequenos gestos, nas milagrosas amostras de vida de cada dia: no vento no rosto, no raiar/pôr do sol, no pássaro que cantarola no fim da tarde/começo da manhã, no barulho das ondas do mar, no cheiro de mar, no colega que sorri, na criança que se arrasta pelo chão, dando seus primeiros passos aprendendo a explorar o mundo;
8 - REAPRENDER A SONHAR, a acreditar nas pessoas, na bondade humana;
9 - APRENDER A RELATIVIZAR/RELEVAR, não remoer os problemas, as decepções e os desapontamentos;
10 - FAZER DE CADA DIA A ÚLTIMA OPORTUNIDADE DE SER FELIZ.


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Tuesday, 4 November 2008

Concerto para a Alma

"Aos poucos esse novo sopro de ar – que pode ser um projeto, um trabalho, uma viagem, uma amizade nova, ou um amor – vai-se delineando melhor. Sua voz é clara e chama o nosso nome. Talvez a gente nem compreenda ainda, mas a sorte – que prepara armadilhas boas e ruins onde fatalmente cairemos porque estamos vivos – sorri, acenando com a nossa nova amante: a vida" (Lya Luft)

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Boas surpresas, um ventinho que sopra, de repente na nossa cara, anunciando que algo está prestes a mudar. É isso mesmo: quando menos esperamos, a vida muda o rumo de nossa rotina habitual e avisa que algo bom está a caminho.
Que venham as boas novas!

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Nos últimos dias, fui agraciada com um verdadeiro bálsamo para alma e os ouvidos. Dois lindos recitais de música clássica, orquestras de pontos distintos de meu país trouxeram a minha capital verde música da mais alta qualidade e de graça, provando que nem só de axé e samba se alimenta nosso povo e comprovando a multiplicidade artística de nossos músicos brasileiros. Bravo.



A primeira a se apresentar no dia 26/11 foi a Orquestra do Estado de Mato Grosso, que lotou o Teatro Santa Rosa, em João Pessoa e emocionou toda a platéia em seu ‘passeio’ pela música sul-americana, indo do tango de Piazzola à mais genuína música mato-grossense, embalada pela viola de cocho. A mim, o maestro Leandro Carvalho particularmente surpreendeu pela jovialidade e motivação. Inspirador.

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No dia seguinte, foi a vez da Orquestra de Sopros do Amazonas reunir seus músicos e uma platéia pequena, mas atenta, nos salões da linda igreja Barroca de São Francisco, no centro da capital. O repertório, composto unicamente por peças pouco conhecidas de Heitor Villa-Lobos, nos fez um parar um pouco e refletir sobre o quanto somos privilegiados em ter acesso à tamanha riqueza cultural. Espetáculo encerrado, aberto espaço para um diálogo com os músicos. Que aula. Que aula.

E aí retomo a pergunta do post anterior. O quanto custa mudar uma vida, quebrar a rotina, o hábito, transformá-la? Um pequeno esforço, só isso.
Para mim, um passo para fora de casa, mesmo num preguiçoso fim de domingo, para sentar-me confortavelmente num teatro ou numa igreja belíssima (que sacrifício!) e sorver essa experiência musical única. Simples assim.

Então, aquele fim de domingo de repente transformou-se. Pareceu outro, transportou-me para um outro mundo, longe daqui, me fez senti mais rica, mais interessante, mais sensível. Adormeceu-me.
E por instantes, senti-me a criatura mais sortuda da face da Terra e percebi que há tantos mundos além do meu, tantas são as possibilidades e às vezes elas estão ali, bem ali na sua frente, a um palmo de seu alcance. É só estender a mão.

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Thursday, 28 August 2008

Turning Point



Tradução literal: ‘ponto da virada’. Em bom português, é aquele momento em que, depois de pôr a vida de ponta-cabeça e fazer uma verdadeira faxina interna, limpando as gavetas, os armários, é hora de começar tudo de novo.

Adoro turning points e sei dizer direitinho quando os meus aconteceram.
Dizem que seguem a tradição dos sete anos, vai saber – aliás, quem foi que começou essa história dos sete anos? Quebrar espelho, sete anos de azar. Vida a dois, depois de sete anos entra em crise. Ver gato preto, sete anos blá-blá-blá. Vai saber.

A verdade é que não há nada melhor do que um bom recomeço. Sei vou soar meio louca, mas amo o momento pós-faxina, no qual depois de um bom e prolongado banho – de corpo e alma – sou literalmente outra e a casa, tirlintintando de tão limpinha e cheirosa, indica que minha mente está igualmente renovada para receber informação nova. É a dita faxinoterapia, dizem os experts.

Tinha uma amiga em Floripa que dizia não haver nada mais ‘pós-faxina’ do que um belo bolo assando no forno e uma chuvinha no fim da tarde. Aderi à onda, e sempre procuro me mimar – lei da recompensa! – com algo de gostoso para assar no forno depois da faxina-nossa de toda semana.

Sexta ou sábado costumam ser os dias tradicionalmente agendados para uma boa faxina na casa. Nã-nã-nin-nã-nã. Juram os esotéricos não haver dia melhor para uma boa e velha faxina do que, adivinhe? A quarta-feira!.

Dia bom para organizar, renovar, reciclar, limpar as velhas energias impregnadas na casa, expulsar os maus-espíritos.

É o dia do recomeço. Isso. Dia do turning point.

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Wednesday, 20 August 2008

Tempo de ganhar o mundo de novo

Olhando assim, dá até vontade de mergulhar nesse marzão azul-esverdeado lá da Austrália. Clique meu. Levo jeito, não?
Mas tava tão gelaaaado - bom, não arrisquei.
Saudades.
Tem um bichinho aqui coçando a minha orelha, me contando que está chegando a hora.
É a minha natureza inquieta, me chamando para desbravar outros mundos novamente.
'Em breve', replico. Em breve.

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Monday, 18 August 2008

Tempo de recolher

"Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira."

(Cecília Meirelles - 1901-1964)

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Wednesday, 30 July 2008

Uma mulher com uma cama


Estou mesmo surpresa com essa nova vida de blogger. Ando me sentindo o máximo com tanta gente dizendo que adorou ler esse ou aquele texto, apesar de não ter postado nenhum comentário. Não fiquem tímidos, minha gente, postem! Não precisam concordar com as baboseiras que digo, podem elogiar, xingar, criticar, discordar. Afinal de contas, escrevemos para sermos lidos, não é mesmo?
Entre os textos mais comentados, acredito, está o da Teoria do Colchão. A turma preocupada se o projeto do quarto ia ou não pra frente. Implicações à vista, obviamente. Sim, o projeto está sendo devidamente executado, viva!
Pois bem, hoje, com o quarto em obras, foi que me dei conta de que faltam poucos dias para me render de vez ao status de permanência obtido com a aquisição de uma cama de verdade. Sniff. Lá se vai a mobilidade de meu lindo colchão, adaptável a qualquer ambiente da casa, especialmente quando resolvo mudar de ‘ares’ e dormir confortavelmente no chão da sala. No melhor estilo ‘ritual de despedida’, resolvi aproveitar os momentos derradeiros de todo o potencial móvel de meu amigo colchão e sua solteirice, antes de casar-se com a cama japonesa lindamente designed para compor o look de um quarto devidamente planejado. Com uma ponta de nostalgia ao relembrar nossa parceria nos últimos anos, arrastei novamente meu velho amigo para o chão da sala, e criei, em questão de segundos, o que um designer modernoso chamaria de ‘ambiente integrado’, graciosamente ornamentado com meu jogo de lençóis favorito, um incenso e uma luminária japonesa, claro (minha cara, não?).
Assim, enquanto as obras do quarto vão sendo concluídas, vou matando a saudade de um tempo em que minha casa era lugar nenhum.
Me desejem sorte. Precisarei de um tempo para digerir que, de agora em diante, serei uma moça com uma cama de verdade.

Em tempo: a transição de ‘status’ foi propositalmente planejada para coincidir com o período em mudarei de idade. Fechando um ciclo, abrindo um outro. Espaço para o novo, como diria minha irmã psicóloga. Mas isso é assunto para outro post...

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Thursday, 24 July 2008

O ciclos da vida


Preste atenção nos movimentos da vida. Num minuto, lágrimas intercaladas com soluços refletem a tristeza de uma alma que chora de dor, de desamor, sabe-se lá. Num outro instante, gargalhadas em alto e bom som, lágrimas de um riso frouxo, uma alegria que bem podíamos congelar no tempo e tomar em conta-gotas, ao longo da vida. Lembrei disso enquanto refletia sobre a efemeridade dos sentimentos humanos. Esse, aliás, é um assunto que me fascina, tema do único poema que consegui escrever na vida, denominado “Efêmero”.
A verdade é que nenhuma dor dura para sempre. Que bom, alivia saber isso. Também não há alegria que seja eterna. Que mau.
É por isso que mantenho meu caderninho de anotações onde frequentemente transformo em palavras sentimentos que sei – avoada que sou – não conseguirei relembrar daqui a alguns meses, quiçá anos. Outro dia, me peguei lendo algumas dessas memórias e acredite: foi como se estivesse ali mesmo, transportada no tempo e no espaço para aquele lugar, com aquela pessoa, naquele instante. Pude até sentir o gosto, o cheiro, as sensações. Quando me dei conta e retomei os sentidos, descobri que os anos se passaram e aqui estou hoje, longe, num contexto tão diferente. Foi quando percebi que se fossemos mais espertos e atentos aos movimentos da vida, a essa gangorra de sentimentos, nos levaríamos a sério de menos, a vida de mais. Aprenderíamos a usufruir dos ciclos da vida de maneira mais intensa e não julgaríamos o momento pela eternidade. “Amanhã, eu te ligo”, “Depois a gente combina”, “Quando der, te visito”. Que nada. Para a maioria dos momentos, não há reprise nem segundo tempo. Hoje é hoje, amanha já foi. Em caso de dúvida, vale anotar no caderninho.

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