Tuesday, 30 December 2008

Adeus Ano Velho, feliz Ano Novo

Me despeço de 2008 com saudades.

Foi um ano do jeitinho que a astrologia previa - rápido, de muita ação, quase meteórico. Meu 2008 - resumido no mosaico de imagens aí do lado - foi de muitos sorrisos, algumas lágrimas, várias surpresas, reaproximações, conquistas, amizades, viagens inesquecíveis.

Foi também um ano de grandes emoções.

Em 2008, vi minhas melhores amigas casarem e chorei, ah, como chorei.

Conheci lugares que há tempos sonhava em conhecer, mas não tinha tempo, grana ou oportunidade - e como sou grata ao universo por ter conferido de perto a riqueza e a pluralidade desse nosso país gigante e verde - estive em Manaus, Tiradentes, São João Del Rei, Florianópolis, Pipa. Cruzei fronteiras e fui - enfim - conhecer Buenos Aires. Que grata surpresa, embalada ao som do tango. Na volta, uma saudade quase inexplicável dessa experiência cultural única e intensa.

Conquistas materiais também marcaram meu 2008 e aqui incluo o meu quarto novinho em folha (!!!), que mereceu um post cômico neste blog e meu estimado livro sobre imagens (idem).

E ainda: 2008 foi para mim um ano de estréias magníficas - no Budismo, neste blog, que tem provado ser um exercício de escrita - e de troca - bacana, leve, descontraída. Viva!

E como não poderia deixar de ser, alguns foram os momentos de tristeza neste ano que se despede, mas esses não valem relembrar - apenas aprender com os erros e não tornar a repeti-los. Agradecer pelo aprendizado e seguir em frente sem olhar pra trás.

É isso. Que venha 2009, repleto de paz, saúde, equilíbrio, boas surpresas & novas realizações. É óbvio que não poderei evitar os maus momentos, aqueles que turvam a clareza natural da mente e destroem a imunidade. Mas que diante deles, eu saiba enxergar a luz e compreender a natureza efêmera dos eventos.

É o que desejo para minha vida e de todos que acompanham carinhosamente este blog.

Feliz 2009!!!

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Wednesday, 24 December 2008

O Natal, segundo Rubem Alves

(...)
"o Natal me deixa triste. Porque, por mais que o procure, não o encontro. Natal é uma celebração. As celebrações acontecem para trazer do esquecimento uma coisa querida que aconteceu no passado. A celebração deve ser semelhante à coisa celebrada.
(...)
Agora, um visitante de outro planeta que nada soubesse das nossas tradições, se ele comparecesse às festas de Natal, sem que nenhuma explicação lhe fosse dada, ele concluiria que o objeto da celebração deveria ser um glutão, amante das carnes, das bebidas, do estômago cheio, das convesas em voz alta, do desperdício. Nossas celebrações de Natal são como as cascas de cigarra agarradas às árvores. Cascas vazias, das quais a vida se foi.
Se perguntar às crianças o que é que está sendo celebrado, elas não saberão o que dizer. Dirão que o Natal é o dia do Papai Noel, um velho barrigudo de barbas brancas amante do desperdício que enche os ricos de presentes e deixa os pobres sem nada.
(...)
Estou convidando meus amigos para uma celebração de Natal. Ela deverá imitar a ceia que José e Maria tiveram naquela noite: velas acesas, um pedaço de pão velho, um pedaço de queijo, algumas frutas secas. A volta, um prato de sopa de fubá - comida de pobre - , tentaremos reconstruir na imaginação aquela cena mansa da estrebaria, um nenezinho deitado numa manjedoura, uma estrela estranha nos céus, os campos iluminados pelos vaga-lumes. E ouviremos as velhas canções de Natal, e leremos poemas, e rezaremos em silêncio. Rezaremos pela nossa Terra, que está sendo destruída pelo mesmo espírito que preside nossas orgias natalinas (...)


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Rubem Alves é escritor, pedagogo, teólogo e psicanalista.

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Talvez o texto acima soe demasiadamente pessimista à primeira vista, mas acho que Rubem Alves conseguiu sintetizar como poucos o espírito que rege o conceito de Natal criado pela sociedade capitalista-consumista em que vivemos. Que sirva de reflexão para capturarmos/resgartarmos a verdadeira essência do Natal.


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Meus sinceros votos de um Natal de paz e serenidade a todos.


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Tuesday, 23 December 2008

Os vários looks de 2008


Vim à Terra com esse defeito de fabricação, um cabelo dificílimo de ser domado. Minha mãe notou isso bem cedo, quando, novinha, me prendia os cabelos em touca (rudilha!!!) e lenço, a própria dona Florinda em versão miniatura.

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Estou certa de que nunca mudei tanto de visual quanto em 2008.
E de que nunca gastei tanto também.
Entre o visual photohair de janeiro ao visu à lá escova progressiva de dezembro, este foi um ano difícil, de erros e acertos e muito prejuízo – econômico e emocional – até encontrar o look que se encaixe bem em meu rosto (ainda estou tentando!) – e em meu bolso. Aceita-se sugestões. Por isso, resolvi compartilhar algumas dessas tentativas com vocês.

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Photohair

O tal Photohair funciona mesmo, mas é caríssimo. Comecei pagando 600, depois entre 350 e 400. É mesmo um investimento e dá um efeito super-liso no cabelo mas em mim, não dura os 6 meses a que se propõe. No melhor estilo ‘lavou, tá novo’, o Photohair dispensa até a escova na hora ‘daquela’ produção. As pontas, no entanto, precisam de uma modelagem – com escova ou bobbes – porque ficam mega-estiradas.
Mas cuidado: só faça com um profissional qualificado, experiente, cujo resultado você já tenha visto ao vivo e a cores. Caso contrário, não faça.
Tive uma péssima experiência em julho desse ano, quando resolvi servir de ‘cobaia’ para uma profissional que estava começando no ramo e que havia fechado um pacote mais barato – 250 reais – e me dei muito, muito mal. Meu cabelo ficou estranhíssimo, amanhecia com um aspecto de mastigado, como se tivesse sido colocado dentro de um liquidificador ou virado Bombril. As pontas duras, esturricadas, nem se fala.
Até recuperá-lo completamente foi uma luta – e um gasto só. Dei vários cortes, fiz vários tratamentos com HQF e queratina RC e comprei um KIT da Schwarzkopf Professional – o Bonacure – que me doeu no bolso: 300 reais. Tinha vergonha até em sair na rua e passei a usá-lo preso, com muito, muito condicionador (leave-in não dava jeito!). Ou seja, o barato saiu muito, muito, caro.
O que a tal cabelereira fez de errado? Até hoje não sei ao certo, mas ouvi várias versões: que havia deixado o produto muito tempo no cabelo, que não havia aplicado direito, e até que havia usado um outro produto, na tentativa de baratear os custos.
Isso é algo do Photohair que precisa ser lembrado: o kit do pós-tratamento – shampoo, condicionador e leave-in – muitas vezes sai mais caro do que a própria química – 300 reais. Em outras palavras: o difícil do Photohair não é fazer, mas manter. E a criatura fica totally dependant dele.

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Totally traumatized (!), resolvi fazer greve de química e aceitar meu cabelo na sua essência, como ele realmente é. Mas como ele é? De tanto tempo fazendo tratamento para diminuir o volume e alisá-lo (com Wella Estrate, Yellow, Photohair, Escova Francezinha da Tânagra), já nem me lembrava mais de sua raiz.
Tinha até me prometido voltar a ser curly/wavy em minhas resoluções para 2009, mas não agüentei. Fiquei com efeito capacete.
Tenho muito, muito cabelo para ser domado, uma verdadeira juba.
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À la progressiva

Inevitavelmente, fui rendida por uma cabelereira que me convenceu a tentar a tal escova progressiva, tão criticada por conter formol em sua composição, mesmo que em doses toleráveis – 0.02%. Mais barata – cerca de 150 reais - a escova não alisa completamente, apenas diminui o volume, e vai saindo à medida que o cabelo vai crescendo e vai sendo lavado.
Descobri com ela, também, que todas essas escovas do mercado atual – orquídea, chocolate, marroquina, chantilly, o raio que o partam – são variações do mesmo tema, ou seja, são, na realidade, a tal progressiva aromatizada, com o intuito de amenizar o odor de sua composição e dar uma aspecto mais suave.
O efeito em mim? Gostei. Mais suave, menos ‘lisabel’ do que os outros. Vamos ver se se mantém. Já fiz o teste: lavei e continua com o volume domado, especialmente quando coloco o leave-in da Vitaderm (35 reais).

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E é com esse look que me despeço de 2008. Gostaram?

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Amigas, heelp! Qual look devo manter no novo ano?

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PS. Post em homenagem à minha amiga Bella, com quem compartilho tuuuudo sobre estética!!!

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Sunday, 21 December 2008

O que dizem os astros


Vamos lá, confesse. Toda mulher que se preza adora ler horóscopo e estar a par das previsões para o ano que entra, do que os astros revelam para o seu setor afetivo, financeiro, profissional, familiar.
No melhor do sincretismo religioso, cresci em uma família com um pé cá, no catolicismo e outro pé lá, no esoterismo, espiritismo, nas ciências ocultas.
Minha mãe sempre teve verdadeira fascinação por astrologia e sonhos, acreditando que estes promovem o encontro com pessoas que já se foram, com dimensões sobrenaturais.
Assino embaixo.
Desde que me entendo por gente, a vejo comprar todo fim de ano todos os guias astrológicos possíveis, ansiosa que fica por tentar desvendar os mistérios do ano que se aproxima.
E foi nesse clima meio esotérico que tomei gosto pela coisa. Não raras as vezes, os amigos me procuram para fazer seu mapa astral, cálculos numéricos sobre sua numerologia, previsões lunares. E eu adoro.
Vira e mexe, lá estou eu, no meio de uma festa, com papel e lápis na mão, fazendo anotações e cálculos, puxando daqui e de acolá, tentando, com algum esforço, antecipar uma surpresa que o futuro reserva, para a alegria da criatura.
Ficou curioso?
Bom, sobre o ano de 2009, regido pelo SOL e por MARTE – o que vale para todo mundo, não só para mim e para você – os esotéricos garantem que será um ano bem LENTO, ao contrário de 2008, que foi dinâmico e passou rápido demais. Para mim, foi quase num piscar de olhos.
Em outras palavras: 2008, que foi um ano de AÇÃO, dará lugar para um 2009 de ACOMODAÇÃO, ou seja, mesmo que se queira agir, o sujeito terá que ter muita, muita, paciência para ESPERAR e VER ACONTECER.
O poder do Sol e de Marte regendo 2009, vai garantir MUITA ENERGIA para 2009 e uma CAPACIDADE DE RENOVAÇÃO muito grande, especialmente para quem quiser se libertar de algum peso do passado. Não poderia haver melhor hora para a LIBERTAÇÃO. É tempo de olhar para dentro, sem querer agradar aos outros. Perceber a PRÓPRIA ESSÊNCIA é a nova ordem.
Será também um ano de UNIÕES e PARCERIAS, em que o trabalho em GRUPO valerá como nunca.

A cor do ano? O LARANJA. Não gosto muito, mas dizem que vai bombar em 2009.

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No campo da numerologia, vale calcular qual é a energia que te acompanha durante o ano de 2009 até seu próximo aniversário. O número acompanha também uma cor específica e pessoal, que vai ajudar a expandir essa energia.

Em breve darei detalhes de como calcular este numerozinho mágico aqui neste blog.
Aguardem.

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Tuesday, 16 December 2008

Destino de férias


Existe coisa mais excitante do que planejar cuidadosamente o destino das próximas férias?
Eu não conheço nada melhor que isso.
Sonhando, nos entregamos a planejar cada detalhe, na expectativa do que vamos encontrar na viagem, quem vamos conhecer, o que vamos comer, onde vamos ficar, uma espécie de prévia da experiência de fato, que, de tão real, torna-se quase a viagem em si. Sim, porque para mim, uma viagem de férias só vale se houver tempo de sonhar suficientemente com ela nos dias, meses, quiçá anos que a antecedem.
Sou suspeita para falar porque A-MO viajar com todas as minhas forças e defendo a experiência com unhas e dentes, certa de não apenas traz conhecimento de vida, mas amadurecimento, autonomia, amplia os horizontes, a cultura, as possibilidades de socialização, mas ACIMA DE TUDO, nos permite re-dimensionar nosso micro-cosmo para bem além das fronteiras de nosso próprio umbigo.
Sinceramente, sinto dó das pessoas que não curtem viajar, seja por preguiça, acomodação ou preferência mesmo. Lembro ter ouvido uma amiga certa vez comentar sua semelhança com Ariano Suassuna em sua aversão a viagens. Perdoem-me ambos a total franqueza: pobres criaturas; não sabem o que estão perdendo.
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Em tempo: Meu destino nas próximas férias? Surpresaaaaaaaa

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Saturday, 6 December 2008

O Budismo e o poder das palavras


A maioria das doenças vem de coisas que entram pela boca, assim como grande parte dos problemas tem origem nas palavras que dela saem”. [antigo provérbio Chinês]

Tenho realmente fascínio pelos sábios provérbios chineses. Impactantes, eles nos fazem pensar sobre nossa conduta, rever nossos princípios. Minha incursão pela filosofia budista é bem recente, mas tem me ajudado a viver melhor e a lapidar a qualiade de minha permanência aqui na Terra.
O budismo, mais que uma religião, é uma filosofia de vida. Ele sai do plano da teoria para a prática, traça a ponte entre a intenção e a ação. Faz crer que de nada adianta a boa vontade em mudar ou fazer, se não há real capacidade de iniciativa. No budismo, as palavras saem do papel.
Daí a importânia em perceber o real poder que exercem ao propagar o amor ou o ódio, ao curar ou ferir, libertar ou traumatizar, construir ou destruir, transformar.
Que tomemos mais consciência sobre nosso discurso para que possamos ser portadores apenas de paz, harmonia e luz, pois como prega um outro sábio provérbio milenar: "Há três coisas que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”
Uma linda semana repleta de palavras de otimismo.

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Monday, 1 December 2008

Entre os Flintstones e os Jetsons: Divagações sobre o mundo real e o virtual

Não sei exatamente porque, mas tenho a impressão de quando passo o dia inteiro em frente ao computador, não rendi o dia.
Uma sensação de culpa me invade, como se pudesse tê-lo aproveitado mais caso tivesse feito algo materialmente visível.
Faz sentido?
A sensação de eu poderia estar do lado de fora da janela de meu escritório, interagindo de verdade com gente de carne e osso, falando em alta e viva voz, ao invés de enfiada neste simulacro de realidade, me faz, no mínimo, lamentar esse afastamento gradual do mundo real – dotado de cheiros, cores e sensações ‘incopiáveis’ – que vivemos, nos levando pra dentro de uma tela e disfarçando, enganosamente, sob o pretexto de uma falsa ‘interatividade’ a bruta solidão a que fomos levados na contemporaneidade.
Sôo pessimista?
É, eu sei, devem ser resquícios de minha geração, acostumada com o velho conceito de realidade advindo do mundo real.
Sou mesmo radical às vezes. Já pensei, inclusive, em abolir o computador aqui dentro de casa, para que possa voltar a usufruir de atividades de verdade (!) – como se minhas longas horas de extenuante exercício intelectual frente ao PC de nada valessem. Vai entender!
A questão do tempo é outra coisa que não entendo no mundo virtual – ele voa!!! A impressão que tenho é que os inventores dessa nova realidade fizeram um pacto com o universo para que o tempo corresse mais rápido nessas horinhas de indulgência virtual. E acertaram!
Lá se vão 1, 2, 3, 4, 5, 6 horas ininterruptas entre chats, sites de notícias, emails, compras, orkut, blogs, fotolog, trabalho, é preciso se atualizar, meu Deus, onde estava aquela informação? Já foi, minha filha, virou obsoleta, se ligue!
É um link que leva a outro, depois a outro, e outro. Oooops, onde é que eu estava mesmo, hein?
E olha que não parei nem para comer nem para fazer xixi, credo.

Foi-se o tempo em que havia um limiar entre os dias de semana (=dias de trabalho) e fins de semana (=dias de lazer).
Sábado de manhã, juro a mim mesma, entoando como mantra: hoje é meu dia de lazer, lazer, lazer, lazer...
Internet só para ver a quantas anda meu horóscopo, planejar aquela merecida viagem de férias. Abro a caixa de emails, alguém grita do outro lado: professoraaaaaaaaaaaaaaaa, já corrigiu a prova? Pode me orientar? lê aí o meu projeto!; Abro outro email que diz: o prazo para submissão dos artigos para participação no Congresso Internacional na Conchinchina é... hoje! (é sempre para ontem!)
Meu Deus, não posso perder este prazo!!!
Mais um email: Por favor, preencha o formulário abaixo e atualize as suas informações. Formulários, formulários, formulários.
Enquanto faço, sem pestanejar, o que me é solicitado, toca o celular: “e aí, recebeu o email? Te mandei há 1 minuto, você ainda não respondeu?”
Na era dos Jetsons, espera-se que estejamos 24 horas online. E eu não como? Não vou ao banheiro? Não saio? Não namoro? Não respiro?


Assim, o mundo real vai ficando cada vez mais distante, longínquo e se não nos impusermos um freio, cairemos na armadilha de virarmos seres mais virtuais do que reais, escravos de uma tecnologia que nos sufoca, nos faz perder o limite do uso saudável do progresso tecnológico.
Meu sonho hoje é passar um mês sem ligar o computador. Sem medo nem culpa de ver a caixa de entrada de meu email atolada de mensagens, esperando respostas urgentíssimas para ontem.
Olho pro relógio, e lá se foi meu sábado e meu domingo, hoje já é segunda e nada rendi no fim de semana. Quer dizer, materialmente falando. Por que na cadência do mundo cibernético, 24 horas do tempo-real são proporcionais a 8 horas-luz do tempo virtual.
Nossa, já é hora do almoço. Como assim, se acabei de tomar café da manhã?!...
E num piscar de olhos, a vida passa sem eu que perceba os seus ciclos. Do lado de fora da janela, vejo o dia ir e vir, 2008 já se foi e lá vem 2009. Já passei dos 30 e nem me dei conta.
Como era tudo antes disso? O que fazíamos, como sonhávamos, como passávamos o tempo? Como era mesmo que trabalhávamos sem computador, sem Internet, saíamos sem celular?
Meu Deus, já nem me lembro da era dos Flintstones, quando nasci, em que era feliz e não sabia.

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