Wednesday, 30 July 2008

Uma mulher com uma cama


Estou mesmo surpresa com essa nova vida de blogger. Ando me sentindo o máximo com tanta gente dizendo que adorou ler esse ou aquele texto, apesar de não ter postado nenhum comentário. Não fiquem tímidos, minha gente, postem! Não precisam concordar com as baboseiras que digo, podem elogiar, xingar, criticar, discordar. Afinal de contas, escrevemos para sermos lidos, não é mesmo?
Entre os textos mais comentados, acredito, está o da Teoria do Colchão. A turma preocupada se o projeto do quarto ia ou não pra frente. Implicações à vista, obviamente. Sim, o projeto está sendo devidamente executado, viva!
Pois bem, hoje, com o quarto em obras, foi que me dei conta de que faltam poucos dias para me render de vez ao status de permanência obtido com a aquisição de uma cama de verdade. Sniff. Lá se vai a mobilidade de meu lindo colchão, adaptável a qualquer ambiente da casa, especialmente quando resolvo mudar de ‘ares’ e dormir confortavelmente no chão da sala. No melhor estilo ‘ritual de despedida’, resolvi aproveitar os momentos derradeiros de todo o potencial móvel de meu amigo colchão e sua solteirice, antes de casar-se com a cama japonesa lindamente designed para compor o look de um quarto devidamente planejado. Com uma ponta de nostalgia ao relembrar nossa parceria nos últimos anos, arrastei novamente meu velho amigo para o chão da sala, e criei, em questão de segundos, o que um designer modernoso chamaria de ‘ambiente integrado’, graciosamente ornamentado com meu jogo de lençóis favorito, um incenso e uma luminária japonesa, claro (minha cara, não?).
Assim, enquanto as obras do quarto vão sendo concluídas, vou matando a saudade de um tempo em que minha casa era lugar nenhum.
Me desejem sorte. Precisarei de um tempo para digerir que, de agora em diante, serei uma moça com uma cama de verdade.

Em tempo: a transição de ‘status’ foi propositalmente planejada para coincidir com o período em mudarei de idade. Fechando um ciclo, abrindo um outro. Espaço para o novo, como diria minha irmã psicóloga. Mas isso é assunto para outro post...

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Sunday, 27 July 2008

O que fazer num dia de chuva?


Estou certa que nunca choveu tanto por aqui quanto neste inverno. Há meses, os dias claros e pulsantes de sol deram lugar a um cenário cinza-melancólico, chuvoso e úmido, que não apenas dificultam a secagem de minhas roupas no varal, como me deixam em ritmo lento, estilo slow-motion, física e mentalmente.
Letárgica, vou me arrastando ao longo do dia, executando as tarefas a toque de caixa e fazendo apostas para que o dia seguinte seja de muito, muito sol (dispenso o calor). Que nada. Mais um dia e nada dele, o astro-rei. Só chuva, muita chuva. Uma pitada de nostalgia e uma boa dose de inventividade, sigo imaginando que estou, dez anos atrás (o tempo voa!) na boa e velha England de dias chuvosos e céu cinzento, aproveitando para botar a leitura e os filmes em dia, tomar sopinha, chocolate quente e comer fondue. Mas haja criatividade. Mais um dia de chuva, a preguiça de sair de casa. Porque será? Não sou feita de açúcar, afinal. Tenho carro, vou e volto sequinha. Hummm, dia de chuva tem mesmo cara de pijama e meias de algodão, debaixo do edredom com um bom cobertor de orelha, se é que você me entende.

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Friday, 25 July 2008

Diva Doméstica do Século 21


Descobri que faço o tipo doméstica. Surpreso? É, eu também, desde que resolvi assumir que apesar da aparência garota-descolada-independente-e-bem-resolvida, sou, na verdade, bem do gênero mulher-pra-casar. Adoro flores, uma mesa bem posta, toalhas bordadas combinando com a estampa dos lençóis sobre a cama, cheiro de bolo assando no forno no final da tarde e de café passado bem cedinho pela manhã. Sou mesmo doméstica, não há como negar. Diva doméstica, em consonância com o comercial da Lux – hilário, por sinal. Engraçado, porque não faço parte do time de moças casadoiras da época da minha avó, que cresciam instruídas sobre as prendas domésticas que comporiam seu repertório de aprendizado a ser repassado de geração em geração. Ao contrário. Sempre fui independente demais para o contexto em que nasci (nordeste do Brasil, meninas casando cedíssimo, com uma penca de filhos, etc). Logo tratei de ganhar o mundo, saí de casa pra morar fora, encarei tudo sozinha, mochilei por outros países, sempre paguei minhas contas. Enfim, tudo no maior estilo garota-super-poderosa. Daí a minha grande surpresa ao descobrir meu lado mulher doméstica que adora cozinhar, cuidar da casa, da horta, do lar, da decoração, mesmo sendo péssima neste último item. Meu passatempo preferido? Folhear livros de receitas! Jurooooo! Passear na Jurandi Pires, só pra conferir as novidades em termos de utensílios para o lar. Navegar pelas páginas da Casa da Chris (http://casadachris.uol.com.br) ou da Tatiana Damberg (http://mixirica.uol.com.br) para garimpar dicas de como compor melhor a mesa para receber os amigos, organizar a casa e decorar o quarto. Tá bom, vai, falei. Credo, será a idade?

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Thursday, 24 July 2008

O ciclos da vida


Preste atenção nos movimentos da vida. Num minuto, lágrimas intercaladas com soluços refletem a tristeza de uma alma que chora de dor, de desamor, sabe-se lá. Num outro instante, gargalhadas em alto e bom som, lágrimas de um riso frouxo, uma alegria que bem podíamos congelar no tempo e tomar em conta-gotas, ao longo da vida. Lembrei disso enquanto refletia sobre a efemeridade dos sentimentos humanos. Esse, aliás, é um assunto que me fascina, tema do único poema que consegui escrever na vida, denominado “Efêmero”.
A verdade é que nenhuma dor dura para sempre. Que bom, alivia saber isso. Também não há alegria que seja eterna. Que mau.
É por isso que mantenho meu caderninho de anotações onde frequentemente transformo em palavras sentimentos que sei – avoada que sou – não conseguirei relembrar daqui a alguns meses, quiçá anos. Outro dia, me peguei lendo algumas dessas memórias e acredite: foi como se estivesse ali mesmo, transportada no tempo e no espaço para aquele lugar, com aquela pessoa, naquele instante. Pude até sentir o gosto, o cheiro, as sensações. Quando me dei conta e retomei os sentidos, descobri que os anos se passaram e aqui estou hoje, longe, num contexto tão diferente. Foi quando percebi que se fossemos mais espertos e atentos aos movimentos da vida, a essa gangorra de sentimentos, nos levaríamos a sério de menos, a vida de mais. Aprenderíamos a usufruir dos ciclos da vida de maneira mais intensa e não julgaríamos o momento pela eternidade. “Amanhã, eu te ligo”, “Depois a gente combina”, “Quando der, te visito”. Que nada. Para a maioria dos momentos, não há reprise nem segundo tempo. Hoje é hoje, amanha já foi. Em caso de dúvida, vale anotar no caderninho.

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Monday, 14 July 2008

O Amor aos 30


Qual é a cara que o amor assume a partir dos 30 anos?

Sim, porque sendo praticamente a única entre uma leva de amigas casadas, ainda estou no páreo do jogo do conquista, de olhos abertos, em busca do par ideal. Isso me autoriza a falar sobre assunto com propriedade.
Tenho certeza que, como eu, qualquer mulher solteira na face da Terra deve ouvir frases do tipo “Sossega, que o que é teu, está guardado”, “Quando você menos espera, ele aparece”, “Menina, tá difícil mesmo, tá faltando homem no mercado”.
Confesso que nunca dei muita bola para as estatísticas. Prefiro apostar minhas fichas na natureza do acaso, nas surpresas dos encontros, na imprevisibilidade deliciosa do universo, que inexplicavelmente, une duas pessoas como se assim tivesse que ser, desde o início.
Sim, confio no destino. Mas como minha conexão com ele anda meio lenta nos últimos tempos, não custa nada apelar para o horóscopo do dia para checar se é hoje mesmo o dia ‘D’.
A verdade é que aos 30, percebe-se não se tem mais tanto tempo a perder. Daí o critério de escolha passa a não ser mais o ‘quem’, mas ‘quando’.
É que aos 20, julgávamos ter todo tempo do mundo, gente à beça para escolher, muita vida ahead para viver. Tanta estrada, para que parar agora?
Quando se chega aos 30, oh-oh – cadê todo mundo?
Força na peruca, ainda estou no páreo, vamos lá. Você já não é a mesma, aquela empolgação de outrora desapareceu e fez você valorizar uma bela noite de sono como jamais faria antes. Poucas coisas valem tanto. Isso significa dizer que você já sabe bem o que vai encontrar naquele barzinho antes freqüentado, a night já não é mais lugar potencial para proporcionar encontros amorosos. Ou será que nunca foi e só agora você se deu conta disso?
Com três décadas nas costas, você também já aprendeu a escolher: para onde ir, com quem sair, o que falar, quando calar. Não diz mais ‘sim’, quando queria dizer ‘não’, nem vice-versa. Em outras palavras, sabe reconhecer seus próprios limites. Isso, muita vezes, custa um alto preço, mas você não se importa. Aos 30, sua paz de espírito vale mais.
Sem ilusões, mais pragmática e menos romântica, aos 30, os joguinhos de amor perderam a graça. Você divide a conta sem problemas, sonha menos, chora menos por amor, não perde tantas noites de sono, nem deixa de comer à toa. Sabe o que quer. A essa altura do campeonato, o friozinho na barriga já desapareceu e os fatos já não te abalam como antes. “Que bom”, respiro aliviada.
Ou que mau. Será que perdi a capacidade de me apaixonar?
PS. Em tempo: A imagem acima é 'emprestada' do filme My BlueBerry Nights (Um Beijo Roubado), estrelando a Norah Jones (adoooro) que vi neste fim de semana. Filme sutil, delicado, com mensagens subliminares e relações metafóricas construídas ao longo da narrativa. Recomendo. Eu amei.

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Monday, 7 July 2008

A teoria do colchão


Vou confessar uma coisa: tenho medo do definitivo. Tudo começou quando, ao ler um artigo num desses blogs de divas domésticas, me deparei com a história de um cara que não se livrava do colchão no quarto. Pronto, aquela era eu! Lembrei que há quase dez anos reluto com a idéia de comprar uma cama.
- “Você ainda vive como estudante”, diz minha mãe, inconformada com a idéia de ter uma filha professora universitária dormindo em um colchão no chão (dos bons, vale a pena dizer).
- “Sigo o estilo oriental de decoração”, replico, no melhor dos argumentos para convencê-la de que sou, de fato, feliz ao lado de meu leito móvel.
‘A sua casa sempre tem uma resposta boa para dar’, dizia o título do tal artigo, ao discorrer sobre a saga do camarada que, assim como eu (seria minha alma gêmea?), relutava contra a idéia de substituir seu colchão por uma cama de verdade.
Foi aí que me lembrei da frase que minha mãe (lá vem ela de novo! Freud explica...) mais repete nos últimos anos: - “Filha, quando é que você vai parar de fazer e desfazer as malas e acalmar o seu coração inquieto?”.
Sim, o artigo estava certo, aquele colchão dizia tudo! Era o reflexo de meu espírito aventureiro e ambulante, dizendo não ao definitivo, como se aquisição de uma cama fosse a materialização de minha resignação ao permanente. E aquilo para mim era a morte.
Afinal de contas, qual é a graça do “para todo sempre”, se o grande barato é reinventar a cada dia? Para que cargas d’água preciso de garantias eternas se sequer sei se estarei aqui no minuto seguinte? Amanhã minha validade já expirou, nem eu serei a mesma. Terei outros pensamentos, sonhos e aspirações.
‘Seguro vitalício’, ‘peças pra toda vida’. Xi, isso não é pra mim.
Devo ter mesmo resistência a tudo que é pra sempre. Sigo acreditando no ‘que seja eterno enquanto dure’.

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Sunday, 6 July 2008

O dia do não fazer


Ultimamente minha grande aspiração tem sido tirar um dia só para mim. Dia de estender as pernas pro alto, sem fazer absolutamente nada. N-A-D-A. Sem culpas, o que é ainda melhor. Sim, por que assumir o ócio não é para qualquer um. Nos acostumamos a programar o dia, a rotina, a vida. Devemos ser produtivos e não nos entregar à inutilidade do ócio pelo ócio. É preciso render, fazer valer cada minuto, cada segundo. Em tempos de celulares e Internet, localizamos e somos localizados facilmente. Desenvolvemos uma outra relação com o tempo, uma relação de dependência quase destrutível. Olhamos constantemente para o relógio, como se algo ou alguém estivesse sempre à nossa espera. Comemos rápido, falamos rápido, usufruímos mal do tempo que dispomos. Mas afinal de contas, o que ou quem nos aguarda, efetivamente?
Em nossa luta incessante a favor do tempo – e contra nós mesmos – nos esquecemos que é aqui e agora que estamos verdadeiramente. Nada nem ninguém nos aguarda de maneira tão imediata. E num piscar de olhos, num suspiro, na fração do segundo que se segue, já não somos mais os mesmos. Teremos perdido, para sempre, a beleza do instante que não volta mais.

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Wednesday, 2 July 2008

Dicotomia


Uma parte de mim quer asas pra chutar o balde, cair no mundo mais uma vez com a mochila nas costas, viajar, curtir, aproveitar a vida, livre, leve e solta.
Outra parte, quer casa, marido e filhos. Uma vida doméstica regrada e previsível.

Complexa essa, a alma humana.

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