A teoria do colchão

Vou confessar uma coisa: tenho medo do definitivo. Tudo começou quando, ao ler um artigo num desses blogs de divas domésticas, me deparei com a história de um cara que não se livrava do colchão no quarto. Pronto, aquela era eu! Lembrei que há quase dez anos reluto com a idéia de comprar uma cama.
- “Você ainda vive como estudante”, diz minha mãe, inconformada com a idéia de ter uma filha professora universitária dormindo em um colchão no chão (dos bons, vale a pena dizer).
- “Sigo o estilo oriental de decoração”, replico, no melhor dos argumentos para convencê-la de que sou, de fato, feliz ao lado de meu leito móvel.
‘A sua casa sempre tem uma resposta boa para dar’, dizia o título do tal artigo, ao discorrer sobre a saga do camarada que, assim como eu (seria minha alma gêmea?), relutava contra a idéia de substituir seu colchão por uma cama de verdade.
Foi aí que me lembrei da frase que minha mãe (lá vem ela de novo! Freud explica...) mais repete nos últimos anos: - “Filha, quando é que você vai parar de fazer e desfazer as malas e acalmar o seu coração inquieto?”.
Sim, o artigo estava certo, aquele colchão dizia tudo! Era o reflexo de meu espírito aventureiro e ambulante, dizendo não ao definitivo, como se aquisição de uma cama fosse a materialização de minha resignação ao permanente. E aquilo para mim era a morte.
Afinal de contas, qual é a graça do “para todo sempre”, se o grande barato é reinventar a cada dia? Para que cargas d’água preciso de garantias eternas se sequer sei se estarei aqui no minuto seguinte? Amanhã minha validade já expirou, nem eu serei a mesma. Terei outros pensamentos, sonhos e aspirações.
‘Seguro vitalício’, ‘peças pra toda vida’. Xi, isso não é pra mim.
Devo ter mesmo resistência a tudo que é pra sempre. Sigo acreditando no ‘que seja eterno enquanto dure’.
- “Você ainda vive como estudante”, diz minha mãe, inconformada com a idéia de ter uma filha professora universitária dormindo em um colchão no chão (dos bons, vale a pena dizer).
- “Sigo o estilo oriental de decoração”, replico, no melhor dos argumentos para convencê-la de que sou, de fato, feliz ao lado de meu leito móvel.
‘A sua casa sempre tem uma resposta boa para dar’, dizia o título do tal artigo, ao discorrer sobre a saga do camarada que, assim como eu (seria minha alma gêmea?), relutava contra a idéia de substituir seu colchão por uma cama de verdade.
Foi aí que me lembrei da frase que minha mãe (lá vem ela de novo! Freud explica...) mais repete nos últimos anos: - “Filha, quando é que você vai parar de fazer e desfazer as malas e acalmar o seu coração inquieto?”.
Sim, o artigo estava certo, aquele colchão dizia tudo! Era o reflexo de meu espírito aventureiro e ambulante, dizendo não ao definitivo, como se aquisição de uma cama fosse a materialização de minha resignação ao permanente. E aquilo para mim era a morte.
Afinal de contas, qual é a graça do “para todo sempre”, se o grande barato é reinventar a cada dia? Para que cargas d’água preciso de garantias eternas se sequer sei se estarei aqui no minuto seguinte? Amanhã minha validade já expirou, nem eu serei a mesma. Terei outros pensamentos, sonhos e aspirações.
‘Seguro vitalício’, ‘peças pra toda vida’. Xi, isso não é pra mim.
Devo ter mesmo resistência a tudo que é pra sempre. Sigo acreditando no ‘que seja eterno enquanto dure’.

2 Comments:
eu quero parar de fazer e desfazer as malas mas parece que a vida nao quer me deixar ... rsssssssss
Não existem mesmo garantias eternas! Nada é para todo o sempre! É tudo ilusão que a gente precisa pra viver! Não precisamos 'brigar' contra o permaente! Ele simplesmente não existe... (E o que há de errado em querer se 'aquietar'?)
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