Thursday, 28 August 2008

Turning Point



Tradução literal: ‘ponto da virada’. Em bom português, é aquele momento em que, depois de pôr a vida de ponta-cabeça e fazer uma verdadeira faxina interna, limpando as gavetas, os armários, é hora de começar tudo de novo.

Adoro turning points e sei dizer direitinho quando os meus aconteceram.
Dizem que seguem a tradição dos sete anos, vai saber – aliás, quem foi que começou essa história dos sete anos? Quebrar espelho, sete anos de azar. Vida a dois, depois de sete anos entra em crise. Ver gato preto, sete anos blá-blá-blá. Vai saber.

A verdade é que não há nada melhor do que um bom recomeço. Sei vou soar meio louca, mas amo o momento pós-faxina, no qual depois de um bom e prolongado banho – de corpo e alma – sou literalmente outra e a casa, tirlintintando de tão limpinha e cheirosa, indica que minha mente está igualmente renovada para receber informação nova. É a dita faxinoterapia, dizem os experts.

Tinha uma amiga em Floripa que dizia não haver nada mais ‘pós-faxina’ do que um belo bolo assando no forno e uma chuvinha no fim da tarde. Aderi à onda, e sempre procuro me mimar – lei da recompensa! – com algo de gostoso para assar no forno depois da faxina-nossa de toda semana.

Sexta ou sábado costumam ser os dias tradicionalmente agendados para uma boa faxina na casa. Nã-nã-nin-nã-nã. Juram os esotéricos não haver dia melhor para uma boa e velha faxina do que, adivinhe? A quarta-feira!.

Dia bom para organizar, renovar, reciclar, limpar as velhas energias impregnadas na casa, expulsar os maus-espíritos.

É o dia do recomeço. Isso. Dia do turning point.

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Friday, 1 August 2008

www.Ilovebreakfast.com


Será que existe um site com esse título aí?
"Under construction", diz Mr Google.
Que pena. Porque não conheço ninguém que goste tanto de café da manhã quanto euzinha aqui. Sem sombra de dúvidas, minha refeição preferida. Acho chiquérrimo uma mesa bem posta com café, leite, chá, geléia, torradas. Sem falar no iogurte, granola, bolo, queijos, pão integral, panqueca. E aquelas cestas de café da manhã então? Um mimo, eu quero!!! A hora do breakfast é mesmo tudo de bom.
Nem precisa dizer o quanto me refestelo toda vez que fico hospedada em um hotel. E dependendo da região, o café da manhã agrega novos valores e sabores, se adapta ao contexto cultural de forma quase simbiótica.
Lembro que na Austrália, dia bom de café da manhã era sábado e domingo, quando todo mundo lá do college fazia fila no sacrificante dia pós-balada só para acordar mais cedo e comer aquelas pancakes grossas com maple syrup on top. Hummm. Dia de domingo, o menu era bacon & eggs, mas eu preferia Wheetabix com leite. O mais perto do natureba que consegui naquele refeitório onde tudo era ora frozen, ora enlatado.
No nordeste, o café da manhã tem o colorido das frutas, o frescor da água de côco, o nosso amarelinho fiel, o cuscuz, acompanhando o queijo coalho assadinho do jeito gosto, torradinho, com a crosta dourada, pão francês quentinho e suco de cajá, de caju, acerola, graviola. E tapioca com côco, afe maria.
No Norte, encontrei uma riqueza frugal sem precedentes – rambotamba, açaí, cupuaçu, tucumã, pupunha.
Lá pelo sul, tomei um dos melhores da cafés da manhã de minha vida, em um hotel 3 estrelas nada pretensioso numa cidadezinha italiana do interior de Santa Catarina chamada São Miguel do Oeste, para onde eu costumava viajar quinzenalmente para dar aulas de Literatura Norte-Americana na universidade local. M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O. E quilométrico. Lembro que a mesa dava voltas e mais voltas em círculos, e eu ficando tonta com tanta opção. Naquelas horas de pura comilança, cada segundinho das quase 14 horas de viagem de curvas e ladeiras entre Floripa e SMO valia a pena. No café colonial dos meus sonhos, o cardápio remetia à nossa herança ítalo-germânica: cuca de banana e de maçã, suco concentrado de uvas doces colhidas dias antes, nata, schmier (geléia), apfelstrudel (torta de maçã), wafles. Falando sério, o café da manhã do Hotel Solaris de SMO *** botou no chinelo o do Sheraton ***** de Porto Alegre, onde me hospedei no ano passado. Prova de que nem sempre hotel 5 estrelas (isso ainda existe?) tem café da manhã à altura dos quilates de suas douradas.
Já em Minas, esse ano, um café da manhã na cozinha, com os donos da pousada, no melhor clima fazendinha. Poucos itens, mas tudo cortadinho na hora, fresquinho: pães de queijo, geléia de uva preparadas pela dona da casa. Um luxo.
E você, gosta tanto de café da mahã quanto eu?

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Wednesday, 30 July 2008

Uma mulher com uma cama


Estou mesmo surpresa com essa nova vida de blogger. Ando me sentindo o máximo com tanta gente dizendo que adorou ler esse ou aquele texto, apesar de não ter postado nenhum comentário. Não fiquem tímidos, minha gente, postem! Não precisam concordar com as baboseiras que digo, podem elogiar, xingar, criticar, discordar. Afinal de contas, escrevemos para sermos lidos, não é mesmo?
Entre os textos mais comentados, acredito, está o da Teoria do Colchão. A turma preocupada se o projeto do quarto ia ou não pra frente. Implicações à vista, obviamente. Sim, o projeto está sendo devidamente executado, viva!
Pois bem, hoje, com o quarto em obras, foi que me dei conta de que faltam poucos dias para me render de vez ao status de permanência obtido com a aquisição de uma cama de verdade. Sniff. Lá se vai a mobilidade de meu lindo colchão, adaptável a qualquer ambiente da casa, especialmente quando resolvo mudar de ‘ares’ e dormir confortavelmente no chão da sala. No melhor estilo ‘ritual de despedida’, resolvi aproveitar os momentos derradeiros de todo o potencial móvel de meu amigo colchão e sua solteirice, antes de casar-se com a cama japonesa lindamente designed para compor o look de um quarto devidamente planejado. Com uma ponta de nostalgia ao relembrar nossa parceria nos últimos anos, arrastei novamente meu velho amigo para o chão da sala, e criei, em questão de segundos, o que um designer modernoso chamaria de ‘ambiente integrado’, graciosamente ornamentado com meu jogo de lençóis favorito, um incenso e uma luminária japonesa, claro (minha cara, não?).
Assim, enquanto as obras do quarto vão sendo concluídas, vou matando a saudade de um tempo em que minha casa era lugar nenhum.
Me desejem sorte. Precisarei de um tempo para digerir que, de agora em diante, serei uma moça com uma cama de verdade.

Em tempo: a transição de ‘status’ foi propositalmente planejada para coincidir com o período em mudarei de idade. Fechando um ciclo, abrindo um outro. Espaço para o novo, como diria minha irmã psicóloga. Mas isso é assunto para outro post...

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Sunday, 27 July 2008

O que fazer num dia de chuva?


Estou certa que nunca choveu tanto por aqui quanto neste inverno. Há meses, os dias claros e pulsantes de sol deram lugar a um cenário cinza-melancólico, chuvoso e úmido, que não apenas dificultam a secagem de minhas roupas no varal, como me deixam em ritmo lento, estilo slow-motion, física e mentalmente.
Letárgica, vou me arrastando ao longo do dia, executando as tarefas a toque de caixa e fazendo apostas para que o dia seguinte seja de muito, muito sol (dispenso o calor). Que nada. Mais um dia e nada dele, o astro-rei. Só chuva, muita chuva. Uma pitada de nostalgia e uma boa dose de inventividade, sigo imaginando que estou, dez anos atrás (o tempo voa!) na boa e velha England de dias chuvosos e céu cinzento, aproveitando para botar a leitura e os filmes em dia, tomar sopinha, chocolate quente e comer fondue. Mas haja criatividade. Mais um dia de chuva, a preguiça de sair de casa. Porque será? Não sou feita de açúcar, afinal. Tenho carro, vou e volto sequinha. Hummm, dia de chuva tem mesmo cara de pijama e meias de algodão, debaixo do edredom com um bom cobertor de orelha, se é que você me entende.

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Friday, 25 July 2008

Diva Doméstica do Século 21


Descobri que faço o tipo doméstica. Surpreso? É, eu também, desde que resolvi assumir que apesar da aparência garota-descolada-independente-e-bem-resolvida, sou, na verdade, bem do gênero mulher-pra-casar. Adoro flores, uma mesa bem posta, toalhas bordadas combinando com a estampa dos lençóis sobre a cama, cheiro de bolo assando no forno no final da tarde e de café passado bem cedinho pela manhã. Sou mesmo doméstica, não há como negar. Diva doméstica, em consonância com o comercial da Lux – hilário, por sinal. Engraçado, porque não faço parte do time de moças casadoiras da época da minha avó, que cresciam instruídas sobre as prendas domésticas que comporiam seu repertório de aprendizado a ser repassado de geração em geração. Ao contrário. Sempre fui independente demais para o contexto em que nasci (nordeste do Brasil, meninas casando cedíssimo, com uma penca de filhos, etc). Logo tratei de ganhar o mundo, saí de casa pra morar fora, encarei tudo sozinha, mochilei por outros países, sempre paguei minhas contas. Enfim, tudo no maior estilo garota-super-poderosa. Daí a minha grande surpresa ao descobrir meu lado mulher doméstica que adora cozinhar, cuidar da casa, da horta, do lar, da decoração, mesmo sendo péssima neste último item. Meu passatempo preferido? Folhear livros de receitas! Jurooooo! Passear na Jurandi Pires, só pra conferir as novidades em termos de utensílios para o lar. Navegar pelas páginas da Casa da Chris (http://casadachris.uol.com.br) ou da Tatiana Damberg (http://mixirica.uol.com.br) para garimpar dicas de como compor melhor a mesa para receber os amigos, organizar a casa e decorar o quarto. Tá bom, vai, falei. Credo, será a idade?

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Monday, 7 July 2008

A teoria do colchão


Vou confessar uma coisa: tenho medo do definitivo. Tudo começou quando, ao ler um artigo num desses blogs de divas domésticas, me deparei com a história de um cara que não se livrava do colchão no quarto. Pronto, aquela era eu! Lembrei que há quase dez anos reluto com a idéia de comprar uma cama.
- “Você ainda vive como estudante”, diz minha mãe, inconformada com a idéia de ter uma filha professora universitária dormindo em um colchão no chão (dos bons, vale a pena dizer).
- “Sigo o estilo oriental de decoração”, replico, no melhor dos argumentos para convencê-la de que sou, de fato, feliz ao lado de meu leito móvel.
‘A sua casa sempre tem uma resposta boa para dar’, dizia o título do tal artigo, ao discorrer sobre a saga do camarada que, assim como eu (seria minha alma gêmea?), relutava contra a idéia de substituir seu colchão por uma cama de verdade.
Foi aí que me lembrei da frase que minha mãe (lá vem ela de novo! Freud explica...) mais repete nos últimos anos: - “Filha, quando é que você vai parar de fazer e desfazer as malas e acalmar o seu coração inquieto?”.
Sim, o artigo estava certo, aquele colchão dizia tudo! Era o reflexo de meu espírito aventureiro e ambulante, dizendo não ao definitivo, como se aquisição de uma cama fosse a materialização de minha resignação ao permanente. E aquilo para mim era a morte.
Afinal de contas, qual é a graça do “para todo sempre”, se o grande barato é reinventar a cada dia? Para que cargas d’água preciso de garantias eternas se sequer sei se estarei aqui no minuto seguinte? Amanhã minha validade já expirou, nem eu serei a mesma. Terei outros pensamentos, sonhos e aspirações.
‘Seguro vitalício’, ‘peças pra toda vida’. Xi, isso não é pra mim.
Devo ter mesmo resistência a tudo que é pra sempre. Sigo acreditando no ‘que seja eterno enquanto dure’.

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