Destinazione Paradiso

És a primeira pessoa que conheço que deseja passar o verão na Patagônia, a tremer de frio...- dizia-me outro, também surpreso com a escolha.
Sou mesmo movida pela intuição e desde que este convite me fora feito, não pensara duas vezes: voltaria a ser mochileira, como nos velhos tempos, a desbravar terras desconhecidas, a decodificar um idioma que não domino, acompanhada por uma gente que mal conheço.
Corajosa? Nem tanto. Por trás de uma aparente bravura, há um desejo sobre-humano de ultrapassar os próprios limites, ir além da zona de conforto e abandonar as velhas certezas.Velhas certezas que acomodam, paralisam e nos fazem crer que o certo é terreno mais fértil do que o duvidoso.
Ouvira dizer que em poucos lugares na Terra, poderia o ser humano aperceber-se de sua própria insignificância, tamanha era a magnitude da natureza naquele lugar.
Sendo assim, estava de malas prontas não rumo a um destino inóspito, exótico, excêntrico. Estava, sim, pronta a trilhar o caminho em busca de si mesma, a re-encontrar-se consigo no silêncio inquebrantável de um lugar aonde apenas a natureza fala – e cala.
Porque se não for assim, terei ao fim de cada dia de minha vida, defronte ao espelho, aquela velha conhecida de sempre, que ao ver-se refletida, mesmo de cabelo ou roupa nova, sente ter desperdiçado por pura covardia mais uma chance de viver plenamente, de ir além de seus medos, para então descobrir-se mais forte, mais inteira, mais humana.
Por que se não for assim, não saciarei essa minha fome de vida, essa urgência que me faz crer que posso – e devo – gastar um pouco mais da generosa cota de vida que o destino me oferta.




