Wednesday, 29 July 2009

Quanto vale o preço da liberdade?

"A felicidade só se torna de fato real quando compartilhada"

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Dificilmente vou esquecer esse filme.

É um daqueles que ficam registrado para sempre na memória, que marcam e nos fazem refletir sobre o preço de determinadas escolhas. Nesse caso, a liberdade a qualquer custo, o desejo de transgressão, o querer fazer (e sentir) diferente, ir contra às velhas normas (pré) estabelecidas socialmente.

A história verídica de Christopher McCandless - o andarilho supertramp - me remeteu a deliciosa sensação de liberdade que sinto cada vez que estou no mundo, por aí, de mochila nas costas, sem lenço tampouco documento, sem registro, nome nem identidade, apenas mais uma, leve e solta no universo, em contato com a natureza.

É quando me sinto mais humana, mais próxima de Deus e da verdadeira essência de estar aqui, de passagem pela Terra.

Contudo, a trajetória inconsequente de Chris rumo ao Alaska me fez perceber que nada disso faz muito sentido se não temos como referencial o outro, se não consideramos o papel essencial que as relações humanas desempenham em nossa vida. Voltar as costas para isso é inútil.

Liberdade, desejo de aventura e trangressão a uma sociedade essencialmente materialista não me parecem sentimentos legítimos sem a valorização dos vínculos afetivos, aqueles que dão realmente sentido à nossa existência.

Recomendo de verdade esse filme.

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Friday, 10 July 2009

Mormaço, por Hebert, para João Pessoa


Como ando numa fase apaixonada pela minha cidade, meu estado e minha cultura, dedico esse post a minha amada João Pessoa.

Coincidentemente, acordei hoje com a canção Mormaço, que Hebert Vianna compôs em homenagem à cidade e que está incluída no último CD dos Paralamas, Brasil Afora.

O engraçado é não se trata de uma música melosa, cheia de palavras suaves de ode à cidade, mas
uma música crua, repleta de críticas com respeito à miséria, o descaso político, o calor infernal, que não suaviza a vida de quem luta para sobreviver em meio a tantas e tamanhas desigualdades. Não menos amorosa, por isso.

Ilustro com líricas imagens de JP, capturadas pelas lentes sensíveis de meu amigo Fernando Van Woensel.


"Mormaço"
(Letra: Herbert Vianna/Música: Herbert Vianna/Bi Ribeiro/João Barone)

Está lá ao deus dará
Na costa da Paraíba
Na barcaça em Propriá
E a ferrugem nessa trilha

Não circula nem o ar
No mormaço da miséria
Quem luta pra respirar
Sabe que essa briga é séria

Dá um laço e lança o sal
Passa ao largo em João Pessoa
Tece a vida por um fio
Desce ao rio e fica à toa

Dentro ou distante do mar
Num país tão continente
Tanta história pra contar
Nas quais se conta o que se sente

De onde foge, pr’onde vai
Nesta vertigem de cores
O que falta e o que é demais
Quais seus mais ricos sabores

Dá um laço e lança o sal
Passa ao largo em João Pessoa
Tece a vida por um fio
Desce ao rio e fica à toa

Por ti tento acender
Outra luz em nossa casa
Lembro que sempre sonhei
Viver de amor e palavra

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Sunday, 5 July 2009

[Amigos] "precisam de tempo e de intimidade; (...) não podem se conhecer sem que tenham comido juntos a quantidade necessária de sal".



Aristóteles, filósofo grego (384-322 a.C.)

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"O que você está esperando? Saia um pouco da sua página virtual, pare de bisbilhotar a dos outros, dê um tempo nas conversinhas que só pontuam o vazio da existência e vá viver mais".

"A internet é muito boa para administrar amizades já existentes, garantindo sua continuidade mesmo a grandes distâncias, mas é ruim para criar do zero relações de qualidade"

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Essas são algumas das frases que me chamaram mais a atenção na matéria publicada pela revista Veja desta semana, sobre a solidão virtual: http://veja.abril.com.br/080709/nos-lacos-fracos-internet-p-94.shtml.

Eu já suspeitava, mas o estudos apontados na matéria confirmam que a Internet não preenche o vazio provocado pela chamada solidão emocional, aquela que nos faz querer poder ter alguém com quem contar nas horas mais difíceis de nossas vidas. Se por um lado a Internet preenche a chamada solidão social, aquela que parece nos dar a impressão de termos os 500 amigos enumerados nos Orkuts da vida, provocando em nós a sensação de pertença a um grupo ou comunidade, ela não diminui em absoluto a verdadeira solidão, aquela primeira, preenchida
apenas pelos chamados laços fortes, constituídos pelas amizades verdadeiras, de carne e osso, construídas ao longo do tempo, e bem depois de se comer muito sal juntos, como sabiamente disse Aristóteles.

Segundos os estudos, é humanamente impossível se administrar 1000 amizades ao mesmo tempo. Está mais do que comprovado que o "
número máximo de pessoas com quem cada um de nós consegue manter uma relação social estável é, em média, de 150, segundo o antropólogo inglês Robin Dunbar, um dos mais conceituados estudiosos da psicologia evolutiva". Palavras da Veja.

É bem verdade que a Internet tem lá suas (várias) vantagens, reconheço: re-estabelecer contatos de infância, facilitar oportunidades de trabalho, diminuir a distância entre pessoas que se conhecem e se amam, mas quando o assunto é qualidade e não quantidade, convenhamos: nada substitui o olho no olho, o toque, o contato pessoal, elementos à moda antiga da relação mais primitiva e genuína da espécie humana, a amizade real.

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