Um MIMO para meus ouvidos
Quando chegamos, a festa já estava pronta. A cidade histórica, de íngremes ladeiras, à noite, era ainda mais encantadora. E eu, que só havia estado ali durante o carnaval, algumas vezes, anos atrás, tinha agora a certeza de não conhecia Olinda. Aquela euforia carnavalesca ofuscava os detalhes de sua poesia. Oh, linda, era mesmo.
Dessa vez, caminhando calmamente por suas ruelas, acompanhada por uma lua que tão cheia, se fazia ensolarada, prestava atenção às cores dos casarios, às igrejas históricas, que no alto, se faziam lindamente iluminadas, ao vai-e-vem das ladeiras, ao burburinho silencioso dos músicos que afinavam seus instrumentos, gente de todo o mundo que trazia sua contribuição musical para compor a orquestra de sons e poesia, pano de fundo da Mostra Internacional da Música em Olinda, a MIMO 2009.
Eram vários pontos espalhados pela cidade, e em cada um deles, imperava o respeitoso silêncio e a atenção de quem havia saído de sua casa para estar ali, absorvendo um pouco mais de cultura e arte, alimentos necessários a nossa alma.
Desde a quarta- feira, dia
Já no sábado à noite, em Olinda, o didatismo e a generosidade do premiado Quinteto Sopro Brasil, composto por professores e músicos da UFPE, que passeando por obras de compositores brasileiros contemporâneos, nos encantava com seus instrumentos de sopro.
Confesso, no entanto, que minha maior surpresa foi me deparar com a versatilidade de Antonio Nóbrega naquela noite. Já havia escutado falar dele, mas de perto ele era ainda mais talentoso. Um misto de cancioneiro, bailarino, músico e ator, esse era, de fato, um artista completo. Assisti seu show hipnotizada, através de um telão, que reproduzia, do lado de fora do Seminário de Olinda, construção histórica das mais belas, para centenas de pessoas, a magia da performance de Nóbrega e a Orquestra Retratos do Nordeste. Um espetáculo que me fez sentir orgulhosa de minhas raízes nordestinas e brasileiras.
A grande atração da noite, o Buena Vista Social Club, só fez confirmar o que eu já sentia: a vibração de cada molécula de meu corpo ao som da contagiante música cubana, refletida na vitalidade da lenda viva daquele grupo.
Resultado: 10 mil pessoas reunidas na Praça do Carmo, em Olinda, que, inebriadas pelo som do Caribe, esqueciam-se por um momento de que o Brasil era o país do futebol. De fato, naquele sábado à noite, o Brasil foi, para mim, o país da salsa, do merengue e do chá-chá-chá.
