Thursday, 11 June 2009

Quando o amanhã nunca vem (When tomorrow never comes)


Ainda chocada com o acidente da Air France.

É preciso uma tragédia dessas acontecer para a gente se dar conta de que o amanhã pode não chegar nunca e que depende de nós, somente de nós, fazer do hoje um dia incrível, inesquecível, único.

Tive um aluno brilhante que me dizia se lembrar diariamente que iria morrer. De cara, achei macabro, mas depois entendi a moral da história: pensar que hoje pode ser último dia de nossas vidas nos dá a dimensão exata da efemeridade do momento.

Recebi esse texto retirado da revista Exame e resolvi compartilhá-lo aqui com vocês.

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Aí um dia você toma um avião para Paris, a lazer ou a trabalho, em um vôo da Air France, em que a comida e a bebida têm a obrigação de oferecer a melhor experiência gastronômica de bordo do mundo, e o avião mergulha para a> morte no meio do Oceano Atlântico.


Sem que você perceba, ou possa fazer qualquer coisa a respeito, sua vida acabou.



Numa bola de fogo ou nos 4 000 metros de água congelante abaixo de você naquele mar sem fim. Você que tinha acabado de conseguir dormir na poltrona ou de colocar os fones de ouvido para assistir ao primeiro filme da noite ou de saborear uma segunda taça de vinho tinto com o cobertorzinho do avião sobre os joelhos.



Talvez você tenha tido tempo de ter a consciência do fim, de que tudo terminava ali. Talvez você nem tenha tido a chance de se dar conta disso. Fim.



Tudo que ia pela sua cabeça desaparece do mundo sem deixar vestígios.


Como se jamais tivesse existido.


Seus planos de trocar de emprego ou de expandir os negócios. Seu amor imenso pelos filhos e sua tremenda incapacidade de expressar esse amor.

Seu medo da velhice, suas preocupações em relação à aposentadoria.

Sua insegurança em relação ao seu real talento, às chances de sobrevivência de suas competências nesse mundo que troca de regras a cada seis meses.

Seu receio de que sua mulher, de cuja afeição você depende mais do que imagina, um dia lhe deixe. Ou pior: que permaneça com você infeliz, tendo deixado de amá-lo.


Seus sonhos de trocar de casa, sua torcida para que seu time faça uma boa temporada, o tesão que você sente pela ascensorista com ar triste. Suas noites de insônia, essa sinusite que você está desenvolvendo, suas saudades do cigarro. Os planos de voltar à academia, a grande contabilidade (nem sempre com saldo positivo) dos amores e dos ódios que você angariou e destilou pela vida, as dezenas de pequenos problemas cotidianos que você tinha anotado na agenda para resolver assim que tivesse tempo.



Bastou um segundo para que tudo isso fosse desligado. Para que todo esse universo pessoal que tantas vezes lhe pesou toneladas tenha se apagado. Como uma lâmpada que acaba e não volta a acender mais. Fim.



Então, aproveite bem o seu dia. Extraia dele todos os bons sentimentos possíveis.

Não deixe nada para depois. Diga o que tem para dizer. Demonstre. Seja você mesmo. Não guarde lixo dentro de casa. Não cultive amarguras e sofrimentos. Prefira o sorriso. Dê risada de tudo, de si mesmo. Não adie alegrias nem contentamentos nem sabores bons. Seja feliz. Hoje. Amanhã é uma ilusão. Ontem é uma lembrança. No fundo, só existe o hoje.


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por Adriano Silva, para a Revista Exame de 04/06/2009.




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Monday, 1 June 2009

Diversão e Arte

Aos que pensam que abandonei este blog, não se enganem. A correria está grande, e como diz um amigo meu, se não focar, não sai do canto. Então ultimamente resolvi sumir por um tempo para cuidar das prioridades que exigiam prazos.

De volta à ativa, o que andei aprontando quando pude usufruir de alguma rara diversão e arte nesta pacata cidade praiana:

Dois shows incríveis: Rita Ribeiro e Vander Lee.

* A primeira, nem se fala. Consegue fazer até ‘Atirei o Pau no Gato’ soar linda em sua voz. Começou o show cantando Madonna e terminou dividindo o palco com Escurinho, um show de batuque que lembrava canção de roda, maracatu, ou um technomacumba, como ela mesma prefere chamar. Rita Ribeiro é carismática, tem uma voz linda e é orgulhosamente nordestina.

** Vander Lee é outro dessa safra. Saí do show dele com a impressão de estar diante de um gênio da música que o Brasil ainda vai descobrir. O cara não só tem uma voz incrível, como também é versátil, canta e compõe samba, balada romântica, reggae, de tudo um pouco. E aquele violão dele, meu Deus? Que espetáculo, só falta falar!
Apesar do constrangimento de quase 20 minutos sem entrar no palco após ser anunciado com a gafe do apresentador que equivocadamente o apresentou como artista revelação da Paraíba (o cara é mineiríssimo) e do barulho que rolava do lado de fora do teatro por causa de uma feira de moda breguíssima, fomos agraciados com 1 hora e 30 de música da mais alta qualidade, surpreendentemente conhecida e entoada por toda a platéia fiel, que por certo já (re) conhecia e acompanhava Vander de outros carnavais. Agora sou eu. Nota dez.

Vi recentemente o tão comentado filminho água-com-acúcar (e sem pretensões de ser diferente) Ele não está tão a fim de você, baseado do livro homônimo de Greg Behrendt e Liz Tucillo. Queria mesmo assisti-lo, mas isso foi acelerado pelos conselhos de uma amiga (da onça?) que não queria mais me ver perdendo tempo com as desculpas esfarrapadas que toda mulher iludida pelas suas próprias fantasias arruma para disfarçar a falta de interesse explícito do cara pelo qual está a fim. O filme é mesmo despretensioso e eu diria que bem mais otimista do que sua versão em livro best-seller. Apesar da constelação de astros e estrelas conhecidos, destaco a não-tão-conhecida-assim atriz (pelo menos para mim)
Ginnifer Goodwin que faz o papel de Gigi, uma mistura de mulher romântica e atrapalhada em suas empreitadas amorosas, que poderia muito bem ser eu, você, ou nossa melhor amiga. Gigi conquistou a minha indicação ao Oscar pela sua divertida interpretação.
Já sei, já sei. Agora você ficou curiosa para descobrir se ele não está mesmo a fim de você. Assista ao filme.
Só posso te dizer o seguinte: os sinais são claros, baby, a gente é que se esforça para não enxergá-los.

Bahhh, mulheressssss.

Beijos, hasta la vista!!!


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