Wednesday, 23 December 2009

De novo, o Natal.



Para alguns, página virada, para outros, início de um novo ciclo. Natal, Ano Novo, festas de fim de ano são sempre assim. Juntamos os caquinhos da esperança que nos resta e seguimos a viagem, crentes de que o despertar no outro dia vai ser mais lindo, vai ser melhor.

Para mim, sempre uma chance de refazer o percurso, de remontar o mosaico de situações espalhados ao longo dos 12 meses de um ano e relembrar o que deu certo, o que deu errado. Como fazer diferente? Como não tropeçar nos mesmos erros? Acho que a moral da história reside aí.

“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente”


Isso é Carlos Drummond de Andrade, nosso saudoso poeta brasileiro.

O Natal é sempre mais melancólico, traz lembranças, saudades, uma falsa ilusão de renascimento, mas aí, no dia seguinte, volta a ser tudo igual. Depois de alguns vários Natais (frustrados) na bagagem, e de uns tempos para cá, tenho me assumido menos ‘natalesca’ e mais coerente com os meus pensamentos. Prefiro plantar sementes de gentileza ao longo do ano a vê-la materializada e comercializada na troca de presentes caros. Para quê, para quem?

Há quem chie, é lógico, mas quem disse que não há de se pagar um preço pela autenticidade?

PS. A linda árvore de Natal que ilustra essa postagem é obra criativa da Ana Castilhos, da MUKIFUchic, de quem sou mega fã.

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