Entre ciclos e crises

Não entendo realmente porque a palavra crise toma, para a maioria de nós, uma conotação tão negativa.
Crise é o tempo em que a mente - e o corpo, por que não? - pedem um descanso para refletir sobre velhas crenças, chorar pelos tropeços, abandonar antigos padrões.
Descobri que a palavra crise vem do latim e tem o mesmo sentido da palavra vento. Vento, que lindo!
Existe algo mais transitório do que o vento?
Isso mesmo, cada uma de nossas crises se converte em uma tempestade ventosa que não apenas nos faz sentir, refletir, amadurecer, mas também nos prepara para um ciclo novinho em folha, mais forte, mais estável, mais equilibrado. É justamente a crise que não nos deixa incorrer no mesmo erro, que nos desvia dos caminhos espinhosos que uma vez percorrermos.
A crise nada mais é senão a tempestade antes da bonança, a inevitável e imperdível oportunidade para o crescimento pessoal, para a construção de nossas auto-defesas, nossos anticorpos emocionais.
Não dá mesmo para fugir das crises, por que além de tudo, elas chegam sem pedir licença, nos visitam sem aviso prévio.
Sabendo disso, vou aprendendo a lidar com minhas crises, conhecendo suas causas, abraçando suas consequências.
Enquanto isso, vou deixando que esse vento sopre, ora suave, ora forte, sob minha vida, levando embora velhos hábitos que não me servem mais, para renascer outra, mais madura e experiente, sabendo desviar daquelas antigas pedras que costumava encontrar pelo caminho.

2 Comments:
Dani, há muito nao passava por aqui e hoje li todos os seus textos publicados(maravilhosos, com sempre). O filme Into the wild também recomendo.
beijos, Kert
Dani,
Como mãe venho testemunhar uma verdade: aprendemos com os nossos filhos,também. Esse seu texto chegou em boa hora. Obrigada!
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