Monday, 17 August 2009

Entre ciclos e crises



Não entendo realmente porque a palavra crise toma, para a maioria de nós, uma conotação tão negativa.
Crise é o tempo em que a mente - e o corpo, por que não? - pedem um descanso para refletir sobre velhas crenças, chorar pelos tropeços, abandonar antigos padrões.
Descobri que a palavra crise vem do latim e tem o mesmo sentido da palavra vento. Vento, que lindo!
Existe algo mais transitório do que o vento?
Isso mesmo, cada uma de nossas crises se converte em uma tempestade ventosa que não apenas nos faz sentir, refletir, amadurecer, mas também nos prepara para um ciclo novinho em folha, mais forte, mais estável, mais equilibrado. É justamente a crise que não nos deixa incorrer no mesmo erro, que nos desvia dos caminhos espinhosos que uma vez percorrermos.
A crise nada mais é senão a tempestade antes da bonança, a inevitável e imperdível oportunidade para o crescimento pessoal, para a construção de nossas auto-defesas, nossos anticorpos emocionais.
Não dá mesmo para fugir das crises, por que além de tudo, elas chegam sem pedir licença, nos visitam sem aviso prévio.
Sabendo disso, vou aprendendo a lidar com minhas crises, conhecendo suas causas, abraçando suas consequências.
Enquanto isso, vou deixando que esse vento sopre, ora suave, ora forte, sob minha vida, levando embora velhos hábitos que não me servem mais, para renascer outra, mais madura e experiente, sabendo desviar daquelas antigas pedras que costumava encontrar pelo caminho.

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Sunday, 9 August 2009

Minha lembrança de Edu


Difícil mesmo é entender porque a morte nos rouba logo aqueles que parecem captar a verdadeira essência da vida e sorver cada instante como se fosse o ultimo.

Edu viveu intensamente, com a pressa daqueles que sabem que não há muito tempo a perder: Edu tinha fome de vida, sede de prazer, e em seus 35 breves anos espalhou amor, carinho, gentileza, e um afeto que só aqueles que puderam partilhar de sua convivência o sabem.

Edu tinha aquele sorriso branco que iluminava o mais obscuro dos lugares: era seu carisma que nos conquistava. Tinha um jeito muito Edu de ser: era um abraço gostoso, uma palavra amiga, um conselho sincero, uma generosidade só sua. Não tinha como não ceder aos encantos do negão.

Edu era a própria festa, a essência de aproveitar a vida.

E assim a morte chegou para abreviar a existência de Edu aqui na Terra e levar um pouco mais de luz lá pro céu. Sorrateira, não pediu licença, e foi tratando de tirá-lo de cena rapidamente, para abreviar tanto a sua dor como daqueles que certamente não saberiam acostumar-se com a lenta e gradual perda de sua alegria e de seu brilho.

Porque se hoje, nesse chuvoso domingo de 09 de agosto me fosse dada a chance de fazer um único pedido aos céus, esse seria de te dar um último abraço, Edu.

Um abraço forte de despedida, aquele que há muito tempo não dava.

Por que se eu soubesse que irias tão rápido, teria tido tempo de me preparar para te perder. Talvez por isso doa tanto hoje me adaptar a sua ausência.

Sentirei saudades.

Dani

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Monday, 3 August 2009

Feliz João Pessoa, Parabéns para mim!


Por anos, celebrei meu aniversário em 06 de agosto sem me dar conta de quanto era sortuda por ter nascido nessa data, coladinha ao aniversário de minha cidade.

João Pessoa celebra seu dia em 05 de agosto, data que sempre me remete à boa e velha Festa das Neves.

Já não a freqüento há muitos e muitos, anos, mas meu saudosismo despertado pela crônica de uma amiga, me trouxe de volta imagens da João Pessoa de minha infância, perdidas entre memórias recentes, as quais revisito hoje com carinho e saudade.

João Pessoa de sentimentos contraditórios, por vezes tão pequena e provincial para as minhas ambições, embora tão maternal e familiar em seu acolhimento a cada volta, em cada sobrevoada por esse nosso céu azul-anil que paira majestosamente sobre um mar verde-piscina de cujo cheiro nos traz a certeza, de que, sim, já chegamos em casa, estamos em nossa terra.

João Pessoa da boa e velha Festa das Neves, colorida pelas barraquinhas que vendiam sonhos nas pescarias e enchiam nossos olhos e a boca com o vermelho-brilhoso-cintilante das maçãs-do-amor que, impregnadas em nossos dentes, sujava-nos as roupas, as mãos, faziam o horror de nossas mães e completavam nossa alegria pueril. Festa das Neves da temida Monga, que nos molhava as calças e povoava com delicioso terror nossos pesadelos infantis. Dos shows na praça, da multidão espremida, das bolas gigantes de plástico, do pula-pula, dos bichinhos de pelúcia, de um tempo em não havia nem computador nem internet para acelerar nosso relógio nem nos distrair das coisas que realmente nos importavam nessa vida.

João Pessoa da Mesbla, da Lobrás, paraísos de compras da minha mãe e provavelmente da sua, das ruas do centro da cidade, sempre caóticas, dos cinemas Plaza e Municipal, onde nos vendiam sonhos na forma dos filmes dos Trapalhões, os quais me faziam rir e chorar.

João Pessoa dos veraneios em Camboinha, na casa de minha velha amiga Claudinha, das tardes no caldo de cana e das noites dançantes de paquera nos assustados da vida, que embalados pelas melosas melodias românticas dos anos 80, serviam de trilha sonora para os nossos passinhos cheek-to-cheek, no melhor estilo rostinho colado. Talvez os últimos dos tempos românticos, diria Lulu Santos.

João Pessoa das noitadas insones ao som do Longa Metragem no Portal das Cores, das paqueras no ponto de ônibus da Lourdinas, das inúmeras desfiladas pela Feirinha de Tambaú, do karaokê no Estação Verão, que rendido a minha persistente e insistente assiduidade, resolveu me dar um prêmio-consolação como melhor cantora (em imbatível dupla com Fá!).

Ah, são tantas lembranças que hoje alimentam essa minha saudade!

Saudade se traduz ainda no sabor e nas cores dos sorvetes da Friberg, no encanto das aulas de ballet do tradicional Studio José Enoch, onde dei meus primeiros passos e despertei para essa paixão pela dança. No frio na barriga dos espetáculos de fim de ano no palco do Teatro Santa Rosa (Para bailar à La Bamba, lembra-se Ju?), nos passeios de trenzinho pelaS praias de Cabo Branco e Tambaú, pelas tantas e divertidas escorregadas no gramado do Hotel Tambaú com meus irmãos menores, de onde fingia ser hospede de brincadeirinha só para poder usufruir por um tempinho do glamour que era estar ali dentro. Deslumbrada....

São por essas e outras lembranças, que esta semana resolvo propor um brinde à feliz coincidência de celebrar o meu aniversário junto ao de minha cidade, cenário que abriga as minhas melhores recordações e me faz sentir orgulho de hoje poder escrever a minha história aqui mesmo, onde estão fincadas as minhas raízes.

Nesta semana do meu dia 06, Feliz João Pessoa!

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