Friday, 28 November 2008

Resoluções de Ano Novo


Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente

[Cortar o Tempo], Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

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Se pudesse, faria dessa lista meu manual de vida nova em 2009 -
1- achar o tempo para SIMPLESMENTE SER: sentir o pulsar do coração, o fôlego de uma respiração longa e profunda, o gosto do ácido e do doce se dissolvendo lentamente em minha boca; perceber o processo sem o afã de chegar ao final;
2 - exercitar a capacidade de SER TOLERANTE E PACIENTE, mesmo frente às provações mais difíceis: um xingamento no trânsito, uma longa fila no banco em dias de pressa, a provocação de um colega de trabalho, uma humilhação em família, uma reunião enfadonha, uma injustiça, uma grosseria, uma mentira ou fofoca a seu respeito, em dias de TPM;
3 - se capaz de EMPRESTAR UM OMBRO/OUVIDO/SORRISO AMIGO sempre que solicitada;
4 - AMAR SEM MEDO;
5 - PERDOAR SEM RANCOR;
6 - PEDIR MENOS, AGRADECER MAIS;
7 - CULTIVAR A SENSIBILIDADE de perceber felicidade nos pequenos gestos, nas milagrosas amostras de vida de cada dia: no vento no rosto, no raiar/pôr do sol, no pássaro que cantarola no fim da tarde/começo da manhã, no barulho das ondas do mar, no cheiro de mar, no colega que sorri, na criança que se arrasta pelo chão, dando seus primeiros passos aprendendo a explorar o mundo;
8 - REAPRENDER A SONHAR, a acreditar nas pessoas, na bondade humana;
9 - APRENDER A RELATIVIZAR/RELEVAR, não remoer os problemas, as decepções e os desapontamentos;
10 - FAZER DE CADA DIA A ÚLTIMA OPORTUNIDADE DE SER FELIZ.


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Monday, 24 November 2008

A Pipa dos meus sonhos

Revisitar Pipa neste último fim de semana foi quase como passar em flashback um filme das tantas vezes em que estive por lá ao longo de meus vinte e poucos anos – o que não faz tanto tempo, vamos combinar (!).
Já estive em Pipa das mais diversas formas. Fiz bate-e-volta, acampei, dormi dentro de carro, me hospedei em pousada bacana, em pousada fuleira, ou seja, cada vez que estive em Pipa, vivi o lugar de forma única e singular. Por isso, garanto: Pipa é Pipa de qualquer jeito.
Há algo de comum a todas as minhas viagens à Pipa, no entanto: na entrada, em Tibau do Sul – município onde a praia de Pipa está localizada - o colorido das roupas das comunidades mais simples estendidas ao vento nas cercas de arame farpado se sobrepõe ao verde dos coqueirais e o azul do céu claro, profundo, ajudando compor uma das mais belas fotografias de meu imaginário pessoal. Quis registrá-la, dessa vez.
Comecei a freqüentar a praia de Pipa em meados da década de 90, convencida por amigos que haviam descoberto uma praia nova, quase virgem, vilarejo de pescadores, que virava reduto de uma galera alternativa, reunida para celebrar a vida, encontrar os amigos, paquerar e de quebra, usufruir de uma natureza ímpar e mais-que-generosa com aquela parte do nordeste do Brasil.
Logo depois, Pipa vivia sua fase mais ‘coquete’: virava ponto de encontro de uma turma de patricinhas/mauricinhos, gente bonita/descolada/abastada, que fazia de Pipa seu destino preferido nos fins de semana, férias e feriados a fim de paquerar e se divertir.

A Pipa de meus anos de farra tinha como trilha sonora o som do Rappa – “Valeu a pena, ê, ê, sou pescador de ilusões.....” – que saía dos potentes sons dos carros enfileirados na rua principal do centrinho, palco de nossas ilusões e desilusões amorosas.

Lembro que se fazia fila do lado de fora da única padaria do lugar para se tomar o café da manhã – a dobradinha pão & queijo e café & leite – no domingo posterior ‘àquela’ balada de sábado.

Depois que fui morar no sul, passei um tempo sem ir à Pipa. Quando voltei, uns 3 anos atrás, tomei um susto. Pipa não já era mais a mesma: havia ganho ares internacionais: tomada por pousadas e resorts de luxo, restaurantes internacionais, imobiliárias, bancos e lojas de grifes, o que elevava o custo da vida em Pipa à estratosfera . “É o preço do desenvolvimento”, diriam alguns, mais otimistas. Para mim, havia se descaracterizado.
De cardápio único, há, hoje, cafés-da-manhã para todos os gostos e em todos os idiomas espalhados ao longo da rua principal do centrinho de Pipa– destaque para aqueles escritos apenas em inglês. Quem não fala, que se vire.
De fato, Pipa hoje é uma torre de Babel – mal se ouve português na rua. Neste fim de semana em que passei por lá, ouvi de tudo: italiano, francês, espanhol, norueguês, alemão, inglês – e pouco, muito pouco português. O lugar virou uma miscelânea lingüística.
Imagino o quanto deve ser estranho para a comunidade de Pipa se adaptar a essas mudanças. São eles, os verdadeiros donos do lugar, que devem sofrer mais que nós, meros visitantes, com os impactos desta transformação tão abrupta.
No novo panorama, a divisão social de Pipa é clara e salta aos olhos: do centrinho pra lá, uma estrutura turística invejável; do centrinho pra cá, resquícios de uma comunidade que vai, aos poucos, desaparecendo: a padaria, a velha farmácia, a igrejinha, os mercadinhos, os fiteiros, os restaurantes de PF: marcas remanescentes que nos ajudam a relembrar aquela Pipa mais genuína, uma vila de pescadores envolta por uma natureza capaz de embasbacar o gringo mais insensível. A verdade é que hoje Pipa não pertence mais a nós, locais ou quase locais – ela é de todos, ou melhor, talvez mais deles, os estrangeiros. São eles que mantêm as boas lojas, os melhores restaurantes, os maiores resorts, o capital. São eles que imprimem sofisticação à Pipa, que personalizam a estética do lugar, que ressaltam o verde das plantas e o azul do mar através das luzes, das cores dos vidros, dos elementos naturais lapidados e adaptados para impressionar os olhos de quem chega em Pipa pela primeira vez. Mas, e precisava?
A natureza de Pipa é – continua – linda e selvagem, dispensa retoques, camuflagens, destaques. Ela fala por si. Exuberante, a beleza natural da praia de Pipa sobrevive às pressões externas e conserva seu charme único, apesar das alterações sofridas ao longo dos últimos anos.
Romântica incorrigível que sou, quero crer que, em essência, Pipa continua sendo a mesma que me leva de volta ao cenário de meus tempos de garota de 20 e tantos anos, embalada pelo som do Rappa e inebriada pelo colorido das roupas que sincronizadas aos coqueirais, dançam, leves, no varal.

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Thursday, 13 November 2008

Arrumando a casa por dentro

“O espaço interior é necessário para a permanente recriação de si. São os aposentos que deveriam ser os mais generosos e iluminados. Ali poderíamos analisar nosso trajeto feito, conferir nossos parâmetros, repensar os amores vividos, e os projetos possíveis (...). Na verdade, o que nos revigora é entrar dentro de nós, refletir. Nada se renova, inova, expande e se faz na verdade, sem um momento de silêncio e observação. Depois disso, podemos, devemos, querer e ousar” [Lya Luft]

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E tenho dito: preciso de +++ TEMPO para fechar o balanço de 2008.
Qual foi o saldo? + pra positivo, + pra negativo?
Quais os momentos mais felizes de 2008? E o que quero deixar para trás?
Quais os motivos para agradecer? O que pode me dar prazer imediato, já, ainda este ano?
E as resoluções para o ano que entra? As metas, o que ainda quero fazer, onde quero chegar?
Que delícia, um ano novinho em folha para re-escrevermos nossa história!
Minha gente, estamos às portas de 2009!
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Monday, 10 November 2008

Noite de autógrafos

Alguns flashes da memorável noite de quinta, dia 06/11/2008, lançamento oficial de meu livro Perspectivas em Análise Visual - Do Fotojornalismo ao Blog - no Restaurante Sagarana, em João Pessoa.

O livro reune pesquisas de Mestrado e Doutorado na área de semiótica visual e multimodalidade e busca articular este campo de pesquisa com a linguística através das 'lentes' de análise do Kress & van Leeuwen e sua Gramática do Design Visual.
A avant-première havia rolado no Simpósio de Hipertexto e Multimodalidade da UFPE em setembro e no Congresso Internacional da Associação Latino-Americana de Linguística Sistêmico-Funcional (ALSFAL) em Florianópolis em outubro passado.
Mas a 'estréia' do livro por aqui tinha que ser realmente especial. E foi.
Com vocês, alguns dos autores:

Jamylle (trabalha com propagandas de cerveja), Cláudia (revisou o livro, junto com o Carlos Magno, da UERN), Jacilene (que pesquisa propagandas impressas de cosméticos para o público feminino), eu e o David (diretor do Pólo Multimídia da UFPB e co-autor comigo de um artigo no livro que investiga cartazes de guerra)


Com Jaci e Jamylle: sensação de dever cumprido!


Discurso improvisado, apesar do textinho esboçado no papel: quebrando o protocolo e a formalidade

Com Dermeval Da Hora, coordenador do Curso de Pós-Graduação em Linguística (PROLING) da UFPB


Com amigas queridas na festa




















Autografando para Jamylle e Jacilene: conseguimos!!!

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Tuesday, 4 November 2008

Concerto para a Alma

"Aos poucos esse novo sopro de ar – que pode ser um projeto, um trabalho, uma viagem, uma amizade nova, ou um amor – vai-se delineando melhor. Sua voz é clara e chama o nosso nome. Talvez a gente nem compreenda ainda, mas a sorte – que prepara armadilhas boas e ruins onde fatalmente cairemos porque estamos vivos – sorri, acenando com a nossa nova amante: a vida" (Lya Luft)

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Boas surpresas, um ventinho que sopra, de repente na nossa cara, anunciando que algo está prestes a mudar. É isso mesmo: quando menos esperamos, a vida muda o rumo de nossa rotina habitual e avisa que algo bom está a caminho.
Que venham as boas novas!

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Nos últimos dias, fui agraciada com um verdadeiro bálsamo para alma e os ouvidos. Dois lindos recitais de música clássica, orquestras de pontos distintos de meu país trouxeram a minha capital verde música da mais alta qualidade e de graça, provando que nem só de axé e samba se alimenta nosso povo e comprovando a multiplicidade artística de nossos músicos brasileiros. Bravo.



A primeira a se apresentar no dia 26/11 foi a Orquestra do Estado de Mato Grosso, que lotou o Teatro Santa Rosa, em João Pessoa e emocionou toda a platéia em seu ‘passeio’ pela música sul-americana, indo do tango de Piazzola à mais genuína música mato-grossense, embalada pela viola de cocho. A mim, o maestro Leandro Carvalho particularmente surpreendeu pela jovialidade e motivação. Inspirador.

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No dia seguinte, foi a vez da Orquestra de Sopros do Amazonas reunir seus músicos e uma platéia pequena, mas atenta, nos salões da linda igreja Barroca de São Francisco, no centro da capital. O repertório, composto unicamente por peças pouco conhecidas de Heitor Villa-Lobos, nos fez um parar um pouco e refletir sobre o quanto somos privilegiados em ter acesso à tamanha riqueza cultural. Espetáculo encerrado, aberto espaço para um diálogo com os músicos. Que aula. Que aula.

E aí retomo a pergunta do post anterior. O quanto custa mudar uma vida, quebrar a rotina, o hábito, transformá-la? Um pequeno esforço, só isso.
Para mim, um passo para fora de casa, mesmo num preguiçoso fim de domingo, para sentar-me confortavelmente num teatro ou numa igreja belíssima (que sacrifício!) e sorver essa experiência musical única. Simples assim.

Então, aquele fim de domingo de repente transformou-se. Pareceu outro, transportou-me para um outro mundo, longe daqui, me fez senti mais rica, mais interessante, mais sensível. Adormeceu-me.
E por instantes, senti-me a criatura mais sortuda da face da Terra e percebi que há tantos mundos além do meu, tantas são as possibilidades e às vezes elas estão ali, bem ali na sua frente, a um palmo de seu alcance. É só estender a mão.

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