Tuesday, 4 November 2008

Concerto para a Alma

"Aos poucos esse novo sopro de ar – que pode ser um projeto, um trabalho, uma viagem, uma amizade nova, ou um amor – vai-se delineando melhor. Sua voz é clara e chama o nosso nome. Talvez a gente nem compreenda ainda, mas a sorte – que prepara armadilhas boas e ruins onde fatalmente cairemos porque estamos vivos – sorri, acenando com a nossa nova amante: a vida" (Lya Luft)

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Boas surpresas, um ventinho que sopra, de repente na nossa cara, anunciando que algo está prestes a mudar. É isso mesmo: quando menos esperamos, a vida muda o rumo de nossa rotina habitual e avisa que algo bom está a caminho.
Que venham as boas novas!

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Nos últimos dias, fui agraciada com um verdadeiro bálsamo para alma e os ouvidos. Dois lindos recitais de música clássica, orquestras de pontos distintos de meu país trouxeram a minha capital verde música da mais alta qualidade e de graça, provando que nem só de axé e samba se alimenta nosso povo e comprovando a multiplicidade artística de nossos músicos brasileiros. Bravo.



A primeira a se apresentar no dia 26/11 foi a Orquestra do Estado de Mato Grosso, que lotou o Teatro Santa Rosa, em João Pessoa e emocionou toda a platéia em seu ‘passeio’ pela música sul-americana, indo do tango de Piazzola à mais genuína música mato-grossense, embalada pela viola de cocho. A mim, o maestro Leandro Carvalho particularmente surpreendeu pela jovialidade e motivação. Inspirador.

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No dia seguinte, foi a vez da Orquestra de Sopros do Amazonas reunir seus músicos e uma platéia pequena, mas atenta, nos salões da linda igreja Barroca de São Francisco, no centro da capital. O repertório, composto unicamente por peças pouco conhecidas de Heitor Villa-Lobos, nos fez um parar um pouco e refletir sobre o quanto somos privilegiados em ter acesso à tamanha riqueza cultural. Espetáculo encerrado, aberto espaço para um diálogo com os músicos. Que aula. Que aula.

E aí retomo a pergunta do post anterior. O quanto custa mudar uma vida, quebrar a rotina, o hábito, transformá-la? Um pequeno esforço, só isso.
Para mim, um passo para fora de casa, mesmo num preguiçoso fim de domingo, para sentar-me confortavelmente num teatro ou numa igreja belíssima (que sacrifício!) e sorver essa experiência musical única. Simples assim.

Então, aquele fim de domingo de repente transformou-se. Pareceu outro, transportou-me para um outro mundo, longe daqui, me fez senti mais rica, mais interessante, mais sensível. Adormeceu-me.
E por instantes, senti-me a criatura mais sortuda da face da Terra e percebi que há tantos mundos além do meu, tantas são as possibilidades e às vezes elas estão ali, bem ali na sua frente, a um palmo de seu alcance. É só estender a mão.

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1 Comments:

At 5 November 2008 at 01:47 , Blogger Isa said...

Oi Dani!

Que experiências maravilhosas. Adoraria ter assistido com você.
Pois é, o prazer é simples, talvez por isso que muitas vezes se coloque empecilhos, dificultando o acesso.
Sem dúvida o que dá prazer está sempre ao alcance da nossa mão, simples e normalmente gratuito ou custa bem pouquinho (às vezes só sair da confortável rotina).
Um abraço e excelente jornada,

 

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