Quando custa mudar uma vida?
"Um dia, espiamos para o corredor, passamos da UTI para um quarto, finalmente olhamos a rua e estamos de novo em movimento. Ainda estamos vivos, ainda em processo, até morrer"
(Lya Luft, em Perdas e Ganhos, 2003).
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Quanto custa mudar a realidade nossa de cada dia? Um olhar, um gesto, uma atitude? Em um de seus textos que mais gosto, Lya Luft diz que basta isso, um estalo de dedos, um movimento para fora da toca, um passo no corredor da vida e muda-se tudo, simples assim: aberta a temporada de uma perspectiva novinha em folha de se enxergar a própria vida:"Podemos optar: Vou ficar dormindo {ou} vou até a próxima esquina ver o que acontece. Essa possibilidade de escolher assusta, mas é apenas um sinal de que estamos embarcados, estamos em movimento e em transformação"
Mas quanto depende de nós e quanto do destino?
Concordo que sem movimento não andamos. Concordo também que somos responsáveis por nossas escolhas. Que é preciso não somente uma intenção, mas uma ação, uma boa dose de iniciativa somada a uma atitude e um passo a frente.
Bom, nem sempre. Às vezes, parecemos andar em círculos, e por mais que tentemos, paramos sempre no mesmo lugar. Uma estagnação em algum setor da vida que parece ter fincado os nossos pés no chão, nos impedindo de seguir em frente. Por que é que isso acontece? O que fazer?
Me impressiona perceber como há gente no mundo que escreve a vida com a velha caneta de sempre, sem ousar, sem criar, sem provocar mudanças na própria história. Parasitam a própria vida, contemplando apenas.
Não saberia viver assim. Me alimento da energia pulsante e criativa de escrever uma nova página de meu roteiro ao abrir os olhos a cada manhã e virar uma outra ao dormir.
Perceber a vida pela janela de um ônibus, é, no mínimo, uma experiência angustiante. Passiva, sinto escorrer pelas mãos minha única chance de chegar lá na frente, olhar para trás e ver o que de bom e de edificante consegui construir para mim e para os outros.
Hoje foi um dia desses, em que me senti verdadeiramente útil. Sinto que mudei não apenas a minha realidade, mas a de seres que estavam à minha volta.
Um olhar, um sorriso, um gesto, uma atitude, que farão, para sempre, a diferença não somente na minha história, mas na daqueles que hoje por ela passaram.




Eu simplesmente não estava preparada para aquilo. Tudo bem, Carol havia me dito se tratar da maior livraria de Buenos Aires, blá, blá, blá, mas toda aquela engenharia ia muito, muito além de minhas expectativas.
De lá, seguimos em busca de uma empanada, iguaria típica argentina, que não havíamos ainda tido a chance de provar. Fomos encontrar numa Cantina Italiana na Recoleta, e que, apesar de deliciosa, nos rendeu uma baita dor de barriga horas depois, enquanto explorávamos com afinco as obras do Museu de Bellas Artes. Ooops, era nosso segredinho, mas revelei.
Plaza del Granaderos, lá chegamos, e fomos atrás da agência que havia nos vendido, pela Internet, os ingressos para o Señor Tango, o esperado show de tango que faria a alegria da nossa balada naquela quinta-feira. Diversão garantida, haviam nos assegurado.
E por falar em Shopping Center, apesar de não ser o tipo de programa que mais amo, tenho que tirar meu chapéu para as tais Galerias Pacífico. Que escândalo de afrescos.
O ponto final daquela programação matinal seria o tradicional Café Tortoni, o mais antigo café da Argentina, ponto de encontro de
Podia-se mesmo ouvir, de longe, os acordes do tango de Gardel que embalavam os passos dos bailarinos no palco do pequeníssimo teatro do café, reservado a poucos – e seletos – convidados. No andar de cima, o museu do Tango, que não chegamos a visitar. Fica para a próxima visita.
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Sabíamos se tratar de um espetáculo para turistas, algo menos genuíno do que seria, provavelmente, assistir a um espetáculo no Tortoni ou pelos bairros boêmios de Buenos Aires. De tão recomendado, resolvemos conferi-lo.
Ficaríamos em um camarote no alto, de frente ao palco em que os bailarinos se apresentariam. Lugar privilegiado, não tivéssemos que ficar de pé durante todo o espetáculo (que tem aproximadamente 3 horas) para conseguirmos enxergar os bailarinos sem que a cabeça do colega da frente nos tapasse toda a visão. Never mind. 












