Momentos de Silêncio.

Respeito meus momentos de silêncio como quem respeita a si mesmo. São esses intervalos que me permitem voltar inteira, com algo valoroso a dizer. E hoje, nesse começo de semana, a última de outubro, meu pensamento está voltado para a idéia da morte. Mas não como algo fúnebre, temido, aterrorizante. Como um evento que rompe, bruscamente, com um ciclo que julgávamos ser eterno ou quase isso. Nos últimos dois meses, perdi duas pessoas amigas, curiosamente semelhantes. Uma aos 30 outra aos 60, mas tão cheias de vida que seriam, em meu pretenso palpite, das últimas que eu veria despedir-se dessa vida. Viviam em lugares distintos e receberam, ambas, o anúncio da morte meio a suas atividades cotidianas, de repente e de surpresa, sem muito tempo para preparar-se. E alguém se prepara para morte? Sorrateira, ela assim aparece, sem nenhum aviso prévio, nos lembrando de não há preparação que anuncie sua chegada. Aprendemos todos nós, quem vai e quem fica, pelo medo do instante chegar e não termos mais tempo de fazer tudo aquilo que queremos. Nossos planos, nossos desejos, nossos carinhos, os amores e horrores que espalhamos por uma vida, tudo isso de esvai em questão de segundos e se para bom entendedor, meia palavra realmente basta, que façamos agora e já tudo aquilo que queremos, sonhamos e desejamos. Nascemos a cada dia e é por isso que estar aqui já vale a pena.
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