Escrevo para dar vazão as vozes que ecoam de minha alma. Porque sei, bem no fundo, que alguém, em algum lugar, me escuta atentamente. E enquanto falo, o efeito catártico das palavras cicatriza minhas feridas e alivia meu coração.
Wednesday, 30 December 2009
O universo se renova.
Meu desejo sincero de um Feliz Ano Novo a todos aqueles que acompanham, carinhosamente, este blog.
Inspirada no lindo email que acabo de receber de uma colega de trabalho, eis que fala o poeta maior, Carlos Drummond de Andrade:
"Para você, desejo o sonho realizado. O amor esperado. A esperança renovada. Para você, desejo todas as cores desta vida. Todas as alegrias que puder sorrir. Todas as músicas que puder emocionar. Para você neste novo ano desejo que os amigos sejam cúmplices. Que sua família esteja mais unida. Que sua vida seja mais bem vivida. Gostaria de lhe desejar tantas coisas. Mas nada seria suficiente para repassar o que realmente desejo a você. Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos. Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto, ao rumo da sua felicidade."
Para alguns, página virada, para outros, início de um novo ciclo. Natal, Ano Novo, festas de fim de ano são sempre assim. Juntamos os caquinhos da esperança que nos resta e seguimos a viagem, crentes de que o despertar no outro dia vai ser mais lindo, vai ser melhor.
Para mim, sempre uma chance de refazer o percurso, de remontar o mosaico de situações espalhados ao longo dos 12 meses de um ano e relembrar o que deu certo, o que deu errado. Como fazer diferente? Como não tropeçar nos mesmos erros? Acho que a moral da história reside aí. “Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente”
Isso é Carlos Drummond de Andrade, nosso saudoso poeta brasileiro.
O Natal é sempre mais melancólico, traz lembranças, saudades, uma falsa ilusão de renascimento, mas aí, no dia seguinte, volta a ser tudo igual. Depois de alguns vários Natais (frustrados) na bagagem, e de uns tempos para cá, tenho me assumido menos ‘natalesca’ e mais coerente com os meus pensamentos. Prefiro plantar sementes de gentileza ao longo do ano a vê-la materializada e comercializada na troca de presentes caros. Para quê, para quem?
Há quem chie, é lógico, mas quem disse que não há de se pagar um preço pela autenticidade?
PS. A linda árvore de Natal que ilustra essa postagem é obra criativa da Ana Castilhos, da MUKIFUchic, de quem sou mega fã.
"Viva o momento presente. O passado já se foi e o futuro ainda não existe. O aqui e agora é a única realidade.
Deu o que falar:a frase acima, citada no site da Bons Fluidos entre as 15 dicas pra se tornar mais 'zen' www.bonsfluidos.abril.com.br/livre/xtra/2/novo/index.shtml,
arrebentou em popularidade entre as minhas amigas e foi até parar no orkut.
Será mesmo que as pessoas estão transitando, perdidas e ansiosas, entre o passado e o futuro, sem se darem conta da preciosidade desse agora?
A meditação da atenção focada costuma fazer maravilhas nesse sentido: ela concentra a atenção do indivíduo naquilo que se está fazendo no exato instante do pensamento, levando-o a celebrar os tons, os cheiros, o sabor e a textura dos entornos,como uma sábia tentativa de levá-lo a apreciar o aqui e o agora.
Para os iniciantes na meditação como eu, uma sugestão de leitura: Meditação Andando, do monge vietnamita Thich Nhat Hanh, que explica direitinho como centrar sua atenção no momento presente. Para mim, fez uma diferença enorme e foi um divisor de águas na minha compreensão sobre a meditação.
E como dizem os budistas, que todos os seres sencientes possam se beneficiar de momentos de tranquilidade e paz. É disso que estamos precisando mais.
Esse coqueiro que dá coco
Onde eu amarro a minha rede
Nas noites claras de luar
...
E estas fontes murmurantes
Aonde eu mato a minha sede
E onde a lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil
Pra mim, pra mim
Brasil
Que eu adoro viajar, todo mundo já sabe. Agora, uma coisa que constatei recentemente é que o Brasil é de fato, a síntese de uma aquarela multicolorida. A velha aquarela brasileira, declamada por Ary Barroso, lá pelos idos de 30.
Em visita recente a um cenário de praia no estrangeiro, me perguntei o que faltava ali para realmente me sentir na praia. E isso já havia ocorrido antes. Na Inglaterra, por exemplo.
Foi então que rapidamente me dei conta que lhes faltava as cores, essas que nos saltam aos olhos e que compõem os vários tons de nossas praias brasileiras, principalmente as nordestinas.
Em lugar nenhum do mundo onde pisei (e olha que já tenho alguns quilômetros rodados), pude perceber tamanha variedade de cores. Isso fica claro quando estamos lá em cima, sobrevoando o nosso país de dimensões continentais. O azul do céu em contraste com o verde do mar é um deslumbre para os nossos olhos. Ao aterrissar no nordeste, nos deparamos com as frutas, aí é um verdadeiro arco-íris: somos saudados pelo vermelho-alaranjado dos nossos cajus, itens caros e raros em terras européias, e que aqui, nem nos damos o trabalho de comprá-los, já que ganhamos aos montes dos vizinhos, que fartamente os recolhem de seus jardins, onde essas suculentas frutas formam o tapete que alimenta passarinhos e outros bichinhos, sortudos por também viverem nesse país tropical.
Isso sem falar no amarelo do cajá, do abacaxi, maracujá, no verdinho da graviola, do côco, no laranja da pitanga, no violeta da jabuticaba, frutas que formam a aquarela desse cenário do meu Brasil oriental, do qual faço parte tão orgulhosamente.
Até o sol parece brilhar mais forte e ser mais amarelinho-alaranjado por essas bandas.
O Brasil daqui de cima, é, sem dúvidas, mais colorido do que qualquer lugar que já visitei na vida. São tantas as cores que ofuscam meu olhar e me fazem, por alguns minutos, esquecer dos tantos problemas que nos cercam, para tão somente contemplar a beleza da explosão de nuances que compõem esse Brasil do mulato inzoneiro de Ary. O meu Brasil brasileiro multicor.
é professora de Linguística, estudante de francês e bailarina frustrada. Adora comer e pedalar nas horas vagas para perder as calorias oriundas da gula. Escreve para exorcizar os fantasmas e organizar o fluxo criativo de seu cérebro inquieto.