Sunday, 7 September 2008

Passaporte livre


Imersa em meus pensamentos, me peguei outro dia tentando entender a razão da deliciosa naturalidade que nos acomete quando estamos fora de casa.

Uma leveza atípica, que faz não nos incomodarmos com o cabelo despenteado nem a roupa descombinada todas as vezes em que pisamos em solo estrangeiro, mesmo estando logo ali, na cidade vizinha, em nosso próprio país. É a simples espontaneidade de sermos nós mesmos, que afrouxa as amarras das convenções, oprimida entre os olhares vigilantes da vida em sociedade.

Por isso, sempre achei que eu era mais eu quando estava fora de casa, à toa aí pelo mundo, de mochila nas costas.

Para minha grata surpresa, eis que esta semana me deparo com o seguinte texto da Martha Medeiros, retirado de sua coluna semanal no jornal gaúcho Zero Hora:

@@@@@@@@@@@

"(...) um exemplo de como uma cidade estrangeira pode anular cerimônias e estranhamentos. Na cidade da gente, nos agarramos aos nossos hábitos e aos nossos vínculos. Estando fora, viramos uns desgarrados e, naturalmente, nos abrimos para conhecer novas culturas, novos costumes e novas pessoas, mesmo pessoas que já poderíamos ter conhecido há mais tempo – mas que não víamos necessidade.Viajando, ficamos mais propícios ao risco e à experimentação. Encaramos bacon no café da manhã, passeamos na chuva, vamos ao súper de bicicleta, dormimos na grama, comemos carne de cobra, dirigimos do lado direito do carro, usamos banheiro público, fazemos confidências a quem nunca vimos antes. O passaporte nos libera não só para a entrada em outro país, como também para a entrada em outro estilo de vida, muito mais solto do que quando estamos em casa, na nossa rotina repetitiva"

@@@@@@@@

Aí sou eu que digo: bom seria se este passaporte não expirasse nunca e fosse válido em território nacional.
Viva a independência. Minha, sua, do Brasil.

@@@@@@@@@

Labels: ,